Quadrilha já roubou mais de 100 imagens em Minas
A Polícia Civil de Minas Gerais já identificou os integrantes de uma quadrilha que roubou cerca de cem imagens de igrejas e museus mineiros nos últimos quatro anos. As peças roubadas eram levadas principalmente para São Paulo. Dois acusados de integrar a quadrilha, Marcos Machado e Walter Antônio Gomes, estão presos na Superintendência da Polícia Federal de Belo Horizonte desde abril, quando foram capturados durante uma tentativa frustrada de roubo perto de Mariana (MG).
A partir da prisão deles, já foram recuperadas, em antiquários suspeitos de Campinas e São Paulo, nos últimos quatro meses, 158 peças sacras roubadas, incluindo as 82 apreendidas na segunda-feira passada. A polícia também identificou como participante da quadrilha Daniel Toledo da Silva, ex-funcionário do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo, que foi indiciado e permanece em liberdade. O nome dos receptadores das peças roubadas, incluindo colecionadores, não foram divulgados.
A assessoria da Secretaria da Segurança Pública de Minas Gerais informou que as 82 peças apreendidas no início desta semana serão apresentadas hoje às 11h no prédio da secretaria em Belo Horizonte. A quadrilha começou a ser investigada pela Delegacia Regional de São João Del Rei (MG) em 1994, quando houve um roubo de imagens sacras do século 18 da igreja de São João Batista, na cidade histórica de Tiradentes (MG).
Segundo o padre Ademir Longatti, de Tiradentes (MG), foram levadas uma imagem de Nossa Senhora das Dores e outra de Nossa Senhora dos Remédios, além de três castiçais de madeira. O padre disse que a imagem de Nossa Senhora dos Remédios com o Menino Jesus nos braços foi a primeira peça a ser recuperada, ao ser reconhecida em Tiradentes no ano passado, quando uma antiquária tentava vendê-la na mesma cidade onde fora roubada.
Até ontem, policiais de São João Del Rei (185 km a sul de Belo Horizonte) ainda permaneciam em São Paulo, onde buscavam indícios contra receptadores e antiquários paulistas.
Especialistas disseram que o sigilo é necessário até para se preservar as peças, que podem ser destruídas para se ocultar provas.Arquivo FolhaAspecto da cidade histórica de Tiradentes: arte sacra ameaçadaCarlos Henrique Santiago
Agência Folha





