Curitiba Moradores do edifício Palais Lac Leman, no Bairro Ecoville um dos mais requintados da Capital passaram o dia ontem prestando depoimentos no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). Eles foram relatar o assalto ocorrido na noite de terça-feira, em que 30 homens fortemente armados e bem vestidos renderam cerca de 80 moradores e funcionários.
De acordo com as informações repassadas por um perito do Cope, que pediu para não ser identificado, os primeiros assaltantes chegaram no prédio por volta das 19 horas. Eles teriam alegado que iriam entregar uma pizza para estudantes que faziam uma festa. Ao terem os portões abertos, eles renderam o vigia e entraram na sala de monitoramento. Neste local, eles recolheram todas as fitas das 18 câmeras de segurança instaladas no local. ''Não dá para negar que houve falha na segurança do prédio'', destacou o investigador.
O eletricista João Alves, que presta serviços de manutenção no local, confirmou a realização da festa de estudantes de Direito. Ele deixou o prédio dez minutos antes do assalto. ''Tive bastante sorte'', disse ele.
No momento da ação, estava ainda ocorrendo uma reunião de condomínio. ''Todos fomos colocados num dos salões de festa do prédio. Quem ia chegando também era levado para lá. Depois, eles foram de apartamento em apartamento. Abriram todos os cofres e levaram jóias e dinheiro'', relatou o síndico Ramon Dematté. Dos 22 apartamentos, apenas três não foram assaltados. Outros três apartamentos estão vagos.
Os assaltantes portavam fuzis, metralhadoras, escopetas, pistolas e granadas. Apenas dois deles estavam mascarados. ''O sotaque era paulista'', garantiu o síndico. Enquanto estavam sendo mantidos como reféns, os moradores tinham que ficar com as cabeças baixas para não identificar os outros assaltantes. ''Mesmo assim, faremos retrato falado de todos eles'', disse o investigador do Cope. Ninguém reagiu. Não houve feridos. ''Eram profissionais'', comentou o policial civil. ''Qualquer reação seria morte certa'', reforçou o síndico, ainda traumatizado.
O síndico contou à polícia que há mais de um mês algumas pessoas circulavam em frente ao condomínio. No entanto, não dava para identificá-las como suspeitas. ''Parece que era uma mulher. Mas essas informações só chegaram depois do assalto'', constatou.

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