Quadrilha faz 12 reféns e leva R$ 9 milhões do BB em Ribeirão
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sábado, 23 de janeiro de 1999
Brás Henrique Especial para a AE 
Cerca de 20 homens armados participaram de um assalto ousado à principal agência do Banco do Brasil (BB), no centro de Ribeirão Preto (SP), ontem pela manhã. A agência é responsável por 95% da movimentação financeira de 30 cidades. Os assaltantes fizeram 12 reféns e levaram cerca de R$ 9 milhões. Ninguém ficou ferido.
A ação dentro do banco durou cerca de duas horas. A operação, porém, teve início na manhã de anteontem quando os ladrões ocuparam uma chácara da Vila Abranches, na periferia da cidade onde mantiveram 12 reféns. Após a ocupação da chácara, integrantes da quadrilha sequestraram quatro funcionários da agência, sendo dois gerentes, no final da tarde no estacionamento. Os quatro foram levados para o cativeiro onde já se encontravam outras cinco pessoas: o dono da chácara, alguns parentes e vizinhos.
Para não levantar suspeitas das famílias, três parentes dos funcionários (incluindo crianças) foram conduzidos até a chácara. Os 12 reféns ficaram sob a mira de fuzis AR-15, metralhadoras e granadas. Um policial informou que até uma bazuca foi utilizada pela quadrilha.
Por volta das 7 horas de ontem, entre 12 e 15 assaltantes - alguns trajando terno - entraram na agência do BB com um dos gerentes da instituição. Os demais reféns permaneceram na chácara, sob mira de outros assaltantes. O gerente e um dos integrantes da quadrilha estavam com um microfone eletrônico - parte de um deles foi encontrado no banco - sob o paletó, em que era transmitido tudo o que ocorria dentro do banco. Um aparelho rebatedor de sinal, colocado fora da agência, retransmitiu as conversas dos dois até a chácara, o que ajudou a tranquilizar os reféns. Os funcionários que chegavam ao banco eram acalmados pelo gerente.
Os assaltantes tiveram que esperar o tesoureiro chegar para abrir o cofre de onde sacaram cerca de R$ 9 milhões. Antes de saírem do banco, calmamente, avisaram ao gerente que ele poderia chamar a polícia depois de 30 minutos, inclusive informando o paradeiro dos reféns. A recomendação foi atendida e o alarme acionado aproximadamente às 9h30. A polícia libertou rapidamente os reféns, presos em um dos cômodos da chácara.
Dois veículos utilizados na fuga foram localizados pouco depois. Uma caminhonete F-1000, com cabine dupla, placas de Maringá (PR), foi encontrada no Anel Viário, próximo à saída para Sertãozinho. No interior do veículo haviam projéteis e o caderno de classificados de um jornal de Uberlândia (MG), de 13 de dezembro. O outro carro, uma Sprinter com placa fria de Sumaré (o carro é de Tietê), foi localizado perto da rodoviária da cidade. Um colete à prova de bala, uma capa de arma longa e um galão de querosene estavam no interior da Sprinter, levantando a suspeita de que a quadrilha poderia ter fugido de avião ou de helicóptero.
Eles foram bastante ousados, afirmou o delegado seccional de Ribeirão Preto, Alexandre Daur. O esquema foi profissional mesmo, disse o delegado titular do 1º Distrito Policial, Luís Geraldo Dias.
À tarde, diretores do banco, de São Paulo, estiveram em Ribeirão Preto e informaram que os funcionários, seus parentes e as pessoas da chácara teriam acompanhamento médico, psicológico e psiquiátrico através do convênio da instituição. Ninguém ficou ferido. O chefe do departamento jurídico do banco, regional de Ribeirão Preto, que não quis se identificar, disse que a quadrilha é especializada, pois conhece a rotina dos bancos.


