Grupo formado por cerca de 15 homens armados explodiu caixas eletrônicos no centro da cidade e fez quatro reféns
Grupo formado por cerca de 15 homens armados explodiu caixas eletrônicos no centro da cidade e fez quatro reféns | Foto: Divulgação/PRF



Menos de um mês após o ataque a carros fortes na BR-376, situação em que quatro pessoas morreram em troca de tiros entre vigilantes e assaltantes, Palmeira, nos Campos Gerais, registrou na madrugada da sexta-feira (2) mais um assalto cinematográfico. Cerca de 15 homens armados explodiram caixas eletrônicos em três agências bancárias do centro da cidade. Durante a ação, o pelotão da PM (Polícia Militar) foi metralhado, quatro pessoas foram feitas reféns e duas rodovias que dão acesso à cidade foram bloqueadas com caminhões incendiados.

Se na ocorrência anterior a violência se limitou à rodovia, desta vez a ação aconteceu na avenida Conceição, a principal do município de 32 mil habitantes, onde estão localizadas as três agências que foram alvo dos assaltantes. De acordo com a PM, os ataques começaram por volta das 4h30. Enquanto parte do bando explodiu os caixas eletrônicos e os cofres dos bancos, outros criminosos foram até à sede a Polícia Militar. Com armamento pesado, dispararam várias vezes contra o prédio e conseguiram minar qualquer reação. Nenhum policial ficou ferido.

A ação criminosa espalhou medo entre os moradores da cidade. Três grandes explosões foram ouvidas, além de vários disparos. Na manhã de sexta, alguns comércios demoraram a abrir as portas. Equipes do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e do Esquadrão Antibombas só conseguiram chegar à cidade após a liberação parcial das rodovias bloqueadas. A BR-277 teve o tráfego totalmente interditado até às 7 horas. Já a PR-151, foi liberada parcialmente por volta das 8 horas. Nos dois casos, caminhões foram atravessados na rodovia e incendiados.

Os quatro reféns trafegavam pela PR-151. Dois deles estava em um dos caminhões usados para bloquear o tráfego. Os outros dois estavam em um carro que passava pelo trecho na hora da ação. Eles foram levados para a cidade e permaneceram dominados durante toda a ação, mas foram liberados após o fim do ataque. Os policiais apreenderam três carros usados pelos assaltantes. As equipes fizeram buscas por toda a região, mas até a noite desta sexta, nenhum suspeito havia sido preso.

Os dois casos mais recentes reacenderam a preocupação dos moradores dos Campos Gerais em relação a roubos a bancos. Em 2016, a Sesp (Secretaria de Estado Segurança Pública e Administração Penitenciária) deflagrou a Operação Cangaço para prender quadrilhas especializadas que agiam na região, principalmente em Ponta Grossa, Telêmaco Borba e Ortigueira. Em três fases da operação, 56 pessoas foram presas. Segundo a Sesp, eles eram suspeitos por explodir e roubar mais de 20 agências.

Mesmo com a repressão, os crimes tornaram a ocorrer. Segundo a polícia, a maior dificuldade é que as quadrilhas se renovam com grande rapidez. Além de criminosos da região, as investigações apontam a presença de grupos criminosos de outros Estados agindo em roubos no Paraná. Em 2017, o Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região registrou 158 ataques a bancos. Foram 59 explosões, 44 assaltos, quatro tentativas e 51 arrombamentos.


PR NÃO PARTICIPA DE REUNIÃO
O presidente Michel Temer organizou na quinta-feira (1º) uma reunião com governadores e ministros para tratar de segurança pública. Entre os assuntos principais, o governo anunciou uma linha de crédito de R$ 42 bilhões para os Estados investirem na área. O recursos estarão disponíveis ao longo de cinco anos. Do montante total, R$ 33,6 bilhões são do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O Paraná foi o único Estado que não enviou representante. A reportagem procurou o governo estadual para saber o motivo da ausência, mas não obteve resposta.

Do total, R$ 5 bilhões serão disponibilizados já em 2018, sendo R$ 4 bilhões em recursos do BNDES. Entre 2019 e 2022, serão liberados os demais R$ 37 bilhões, dos quais R$ 29,6 bilhões virão do BNDES. O prazo médio que os estados terão para pagamento será de oito anos, com dois anos de carência. Temer informou que além do financiamento, o governo poderá fazer liberação de verbas para a aquisição de equipamentos. Os recursos fazem parte do Programa Nacional de Segurança Pública que busca reduzir os índices de criminalidade no país.

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