Quadrilha explode muro de penitenciária e resgata 29 presos
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terça-feira, 11 de setembro de 2018
Isabela Fleischmann <br> Reportagem Local </br> 
Um grupo armado com fuzis explodiu muro da unidade 1 da PEP (Penitenciária Estadual de Piraquara), na Região Metropolitana de Curitiba, e resgatou 29 presos, na madrugada desta terça-feira (11). Na fuga, os criminosos atearam fogo em cinco caminhões e dois carros na BR-116 para dificultar a ação da Polícia Militar. A ação foi a segunda do tipo no presídio em menos de dois anos. Em janeiro do ano passado, 28 presos fugiram após explosão do muro da unidade.
Conforme o Depen (Departamento de Execuções Penais do Paraná), o bando abriu um buraco no muro com o auxílio de explosivos e entrou no pátio da PEP 1 com o intuito de explodir as galerias. Policiais militares trocaram tiros com a quadrilha por cerca de 15 minutos, mas ninguém ficou ferido. A unidade tem capacidade para 743 detentos e abrigava 716 antes da fuga.
A ação aconteceu por volta das 3h30. Houve congestionamento na BR-116 enquanto os bombeiros controlavam o incêndio nos veículos, que tiveram de ser guinchados para limpeza da pista. A PRF (Polícia Rodoviária Federal) identificou um carro atolado à margem da rodovia que teria sido utilizado pela quadrilha.
A Polícia Civil investiga o caso, mas nenhum foragido havia sido recapturado até o começo da noite desta terça. Helicópteros da PM e da PRF foram usados na tentativa de captura dos foragidos e da quadrilha.
Para o coronel Élio de Oliveira Manoel, secretário especial de Administração Penitenciária do Paraná, o ato não se tratou de uma "simples fuga de detentos". "Foi uma ação com explosão de muro da entrada de galerias para a retirada de presos à força. Uma ação planejada por quadrilhas comparsas fortemente armadas", pontuou.
Manoel estima que cerca de 20 criminosos participaram da ação. "Pessoas que eles [criminosos] queriam acabaram sendo arrebatadas, mas a unidade tem um procedimento de segurança justamente prevendo situações como essa", afirmou o secretário, embora não tenha explicado o procedimento durante a coletiva de imprensa. É na PEP 1 que ficam lideranças do crime organizado. "Isso não é algo que deva ser escondido nem empurrado para debaixo do tapete. Toda a comunidade tem conhecimento que trata-se de uma ação do crime organizado", disse.
Os agentes penitenciários são responsáveis pela guarda e movimentação dos presos, mas não são pessoas preparadas para responder a um evento desse porte, conforme Manoel. "Eles nem trabalham armados", disse. A segurança externa é feita pela PM.
Os policiais e agentes penitenciários fizeram vistoria no presídio ainda na manhã desta terça. "A unidade passará por procedimento de segurança. Como os danos materiais não impedem seu funcionamento, a vida segue normalmente, e cabe às polícias as ações para recapturar esses fugitivos", decretou.


