Cuiabá- A Polícia Federal estima que pelo menos 600 madeireiras estão envolvidas com a maior quadrilha do País especializada na extração ilegal e venda de madeira na Amazônia. Desde anteontem, 95 pessoas acusadas de integrar o grupo foram presas e estão sendo levadas para Cuiabá (MT). A Operação Curupira começou a ser montada há nove meses.
Anteonte foram detidos o gerente-executivo do Ibama em Cuiabá, Hugo José Werle, o diretor de Florestas do órgão, Antonio Carlos Hummel, e o secretário especial de Meio Ambiente de Mato Grosso, Moacir Pires. A operação ocorre em 16 municípios de Mato Grosso, Distrito Federal e mais 5 Estados - Rondônia, Amazonas, Pará, Paraná e Santa Catarina. A ação faz parte de uma ofensiva do governo e do Ministério Público Federal (MPF) contra o desmatamento na Amazônia.
Os bens de todos os envolvidos - funcionários públicos, madeireiros e despachantes - estão indisponíveis por determinação do juiz da 1 Vara Federal de Cuiabá, Julier Sebastião da Silva. A madeira retirada da Amazônia rendeu à quadrilha R$ 890 milhões. O grupo tinha um esquema de venda e falsificação de Autorizações para Transporte de Produtos Florestais (ATPFs), documento do Ibama que comprova a origem legal da madeira, ou seja, se ela vem de um desmate autorizado.
O procurador da República em Mato Grosso, Mário Lúcio de Avelar, disse que há indícios de fraudes na Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fema). ''Nós temos dois depoimentos que apontam o comércio de licenças ambientais no órgão.'' O procurador também afirmou que os principais beneficiados pelo esquema de corrupção estão há décadas devastando o meio ambiente em proveito próprio. ''O Ibama é apenas uma peça de uma organização criminosa comandada por pessoas que estão aí há 20 anos.''
Só para recuperar a área devastada, o MPF, Polícia Federal e Ibama calculam que serão necessários R$ 108 milhões. A quadrilha teria desmatado 43 mil hectares - o equivalente a 52 mil campos de futebol - na Amazônia para retirar, ilegalmente, 1,9 milhão de metros cúbicos de madeira, que tinha como destino a Europa.
O presidente do Ibama, Marcus Barros, nomeou duas comissões para investigar as irregularidades no órgão em Mato Grosso. O interventor do Ibama, Elielson Ayres de Souza, disse que as comissões vão verificar a conduta de cada servidor. ''As comissões são disciplinares e têm caráter sigiloso'', frisou o interventor. Elielson disse também que há outras fraudes detectadas. ''Estamos reunindo documentação para remeter ao Ministério Público, Polícia Federal e posteriormente para o Poder Judiciário.''
Os envolvidos estão sendo indiciados por corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistema de informações, prevaricação (quando funcionário público deixa de cumprir sua obrigação), falsidade ideológica e autorização indevida de desmate, entre outras acusações. Fema e Ibama suspenderam por 30 dias as licenças ambientais. Projetos de manejo foram cancelados até que seja concluída uma auditoria nos dois órgãos.

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