Curitiba - A polícia prendeu ontem seis integrantes de uma quadrilha especializada em fraudar empréstimos consignados de aposentados e fechou lojas da VC Consultoria no Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro. O prejuízo preliminar causado às vítimas é estimado em R$ 10 milhões. O dono da empresa, Neviton Pretti Caetano, de 59 anos, foi detido em Camboriú (SC). Até agora, cerca de 100 pessoas já registram queixa na polícia, mas segundo o delegado do Núcleo de Repressão aos Crimes Econômicos (Nurce), Itiro Hashitani, o número de vítimas pode ser muito maior.
A expectativa é que, com a prisão das pessoas ligadas à empresa, aumente o número de pessoas que foram prejudicadas e vão procurar a polícia. O mesmo grupo já tinha atuado no Paraná aplicando golpes com o nome de Vera Cruz em 2004 e teve condenação em segunda instância.
A Operação Consignado foi deflagrada ontem pelo Nurce e pela Delegacia de Crimes Contra a Economia e Proteção ao Consumidor (Delcom), com apoio do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e da Divisão Policial do Interior. Foram cumpridos 41 mandados de prisão e de busca e apreensão. Também participaram a Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Curitiba e Promotoria de Inquéritos Policiais.
Segundo investigações da polícia o golpe acontecia de duas maneiras. Quando um interessado ligava para a VC Consultoria para fazer um empréstimo, o atendente fazia o ''cadastro'', que, na verdade, tratava-se da proposta efetiva. A aprovação do ''cadastro'' gerava a liberação do dinheiro para a VC Consultoria que se apropriava dos valores, descontando a parcela sem que a vítima soubesse. Quando o segurado percebia a fraude e tentava cancelar o contrato, a empresa criava dificuldades e ficava com a comissão do empréstimo.
Outro crime era a efetivação de empréstimos com margem complementar, também sem o conhecimento da vítima. Nesta modalidade, o empréstimo era aprovado de acordo com uma margem. Mas, quando o salário mínimo é reajustado, surge nova margem para empréstimo. Então, a VC Consultoria usava vias de contratos em branco, já assinadas pela vítima, e realizava novo empréstimo, apropriando-se dos valores.
Foram fechadas 13 filiais em Curitiba, Maringá, Cascavel, Londrina, Francisco Beltrão, Telêmaco Borba, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa e Paranaguá. Além disso, a empresa tinha lojas em Santa Catarina (três) e Rio de Janeiro (uma).
Além de Neviton Caetano foram presos como suspeitos a esposa dele Shirlei dos Santos Ramos, de 36 anos, e mais quatro pessoas. Foram apreendidos sete veículos de luxo, dinheiro, notebooks, CPUs, um revólver calibre 38, celulares e documentos. O advogado da VC, Heitor Amante, informou que a empresa não ia comentar o assunto porque não teve acesso aos autos.

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