Quadrilha clona cartões de banco e aplica golpes em São Paulo
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2000
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 31 (AE) - Uma grande quadrilha de estelionatários vem sendo apontada pela polícia como responsável pelos golpes com cartões magnéticos clonados. Milhares de pessoas estão ficando sem dinheiro em suas contas correntes e aplicações bancárias. Essa modalidade de crime tem aumentado em São Paulo e a polícia não está preparada para enfrentá-lo.
Além dos clones, outros golpes com a utilização da informática têm lesado os correntistas. Muitas vezes pessoas sem saber com quem estão falando passam seus dados bancários pelo telefone. "Somente se deve dar informações ao gerente de sua agência e assim mesmo pessoalmente", aconselha o delegado Francisco Misassi, do 3º Distrito, dos Campos Elíseos, em São Paulo.
Ele investiga mais de cem queixas de vítimas da clonagem. São inquéritos de pessoas lesadas que recorreram à polícia porque os bancos não acreditaram em suas queixas. "O banco sempre desconfia da vítima e o inquérito vai dizer quem está com a razão, apesar da dificuldade em identificar os responsáveis", disse Misassi.
A cada dia novas vítimas têm procurado os distritos policiais da capital e da Grande São Paulo. Elas pedem providências da polícia para que possam ter o seu dinheiro de volta.
Polícia especializada - Os cem inquéritos do 3º DP foram instaurados a partir de julho. Os pedidos foram feitos em sua maioria por correntistas do Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Caixa Econômica Federal.
São pessoas que de um dia para o outro ficaram sem o dinheiro em suas contas correntes, poupanças e aplicações. Para Misassi, a quadrilha é grande e está "difícil" chegar aos criminosos. Segundo ele, os bancos devem preparar-se para este tipo de crime e impedir o avanço do "estelionato eletrônico".
As histórias que chegam à polícia são muitas. Diante do número elevado de crimes, a Polícia Civil estuda a criação de um setor especializado para esse tipo de investigação. O setor deverá funcionar ligado à Delegacia de Roubos a Bancos, do Departamento de Investigações Sobre Crimes Patrimoniais (Depatri).
A supervisão poderá ficar com o delegado Ruy Ferraz Fontes, que há cinco anos investiga roubos a agências bancárias e sequestros de gerentes e tesoureiros. Ele acredita que, se houver a colaboração do Poder Judiciário e do Ministério Público condenando o estelionatário e fazendo com que ele fique na cadeia, os crimes deverão diminuir.
Ferraz Fontes afirmou que muitos juízes acham que o estelionatário é um criminoso que aplica crimes leves e por isso dificilmente ele fica preso.
Perda - Misassi adiantou que as pessoas que procuram os distritos perderam em média de R$ 1 mil a R$ 50 mil. "Tem gente que somente descobre o rombo em sua conta quando o extrato chega", adiantou.
A professora C.L. procurou o 78º Distrito, dos Jardins, para queixar-se. Ela teve prejuízo de R$ 41 mil que o banco prometeu pagar. O dinheiro foi sacado de sua conta no Itaú em apenas um dia. O estelionatário, com seus dados, senha e o número da conta corrente, movimentou o dinheiro de suas aplicações.
"Ele passou para a conta corrente e mandou no mesmo dia várias ordens de pagamento para uma conta aberta no Itaú de São Luís, no Maranhão", disse. C. somente soube que estava sendo vítima de um estelionatário quando, no começo de janeiro, a caminho da praia, recebeu uma chamada em seu celular.
Era o gerente da agência do Itaú de São Luís estranhando as seguidas ordens de pagamento para a mesma conta. "Parei meu carro na estrada e pedi que não pagasse e chamasse a polícia, porque eu não havia mandado ordem de pagamento para lugar nenhum."
O homem que estava reclamando pelo dinheiro vindo por uma ordem de pagamento fugiu do banco. C. foi ao Itaú solicitou o extrato de sua conta e descobriu o rombo de R$ 31 mil. "O banco logo viu que eu não tinha nada com isso, fez uma apuração e prometeu devolver o meu dinheiro." Policiais do Estado de São Paulo e do Maranhão apuram para tentar identificar os estelionatários.
Susto após as férias - Uma outra vítima dos "estelionatários eletrônicos" foi a funcionária da Receita Federal Neuza Tomaz Ribeiro, que pediu a abertura de inquérito no 3º DP.
Seu dinheiro na conta corrente e poupança depositado no Banco do Brasil, num total de R$ 13,5 mil, desapareceu. Depois de uma viagem de férias ela foi verificar seu saldo na agência do banco na Rua Sete de Abril, no centro, e constatou que seu saldo estava negativo na conta corrente. Os R$ 3 mil tinham sido sacados.
Ao verificar a aplicação, outro susto: os R$ 10.550,00 tinham também desaparecido. "Parte do dinheiro foi sacada e o restante mandado para outras contas", explicou o delegado Misassi.
Fabio Rodrigues Noronha, superintendente regional do BB em São Paulo, explicou que todos os casos estão sendo analisados. "O banco tem todo interesse de esclarecer o que ocorreu e o que está ocorrendo."


