Quadrilha assalta prédio na Tijuca
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Por Clarissa Thomé (especial para a AE) 
Rio, 27 (AE) - Quatro homens bem vestidos, armados de pistolas, invadiram o edifício Casa dos Flamboyants, na Tijuca, zona norte do Rio, hoje pela manhã e assaltaram três apartamentos. Eles prenderam 24 moradores e funcionários no depósito de lixo do prédio, enquanto parte do bando roubava jóias, dinheiro e eletrodomésticos. Em Ipanema, na zona sul, dois homens entraram pela janela do segundo andar do edifício número 3 da Rua Visconde de Pirajá e assaltaram a dona de casa Gilda de Lima Miranda, de 76 anos. Pelo menos cinco apartamentos foram assaltados por bandos armados desde o início do ano.
O assalto ao edifício Flamboyants aconteceu quando o porteiro Clemildo de Moura, de 28 anos, abriu o portão de saída da garagem, às 6h40, para que um dos moradores deixasse o prédio. Ele foi surpreendido por uma manobra rápida do motorista de um Vectra prata, com placa de São Paulo, ocupado por outros três homens, que entraram antes que o portão fechasse. Moura, que cursou as aulas de prevenção a assalto da Polícia Militar na semana passada, foi rendido.
Nesse momento, a moradora do 103, Denise Noronha Miranda Silva, de 42 anos, entrava na garagem, depois de levar o filho na escola. Com voz calma e baixa, um homem de terno e gravata a abordou: "Com licença, mas vamos desligar o seu carro que isso é um assalto". Em seguida, o morador do 503, Ricardo Toledo, de 20 anos, foi rendido na porta do elevador.
Os dois voltaram a seus apartamentos. A mãe de Denise, Maria Etelvina, de 67 anos, acordou com um dos assaltantes em sua casa. "Vi um homem segurando minha filha pelo pescoço e achei que ela tivesse passado mal na rua, jamais poderia imaginar que fosse um assalto", disse. Na casa de Toledo, suas irmãs Vanessa e Vanusa, foram rendidas ainda na cama, por um homem armado. "Eles foram educados; quando minha mãe pediu para pegar a bombinha da asma um deles disse que ela poderia ficar à vontade", contou. Os criminosos invadiram ainda o apartamento 102, de Lúcia Caldas, de 56 anos, onde ficaram pouco tempo.
As três famílias assaltadas, os moradores que saíam para o trabalho, faxineiros e até o porteiro do prédio em frente ficaram trancados na lixeira do edifício. A polícia chegou 10 minutos depois que os assaltantes deixaram o prédio. A única pista do delegado Ely Andrade é a placa do Vectra, anotada por um dos moradores. "Espero que não seja fria", afirmou.
Em Ipanema, os criminosos se valeram de uma escada usada na pintura do prédio para entrar no apartamento Gilda Miranda. Ela foi acordada com uma faca no pescoço e o anúncio do assalto, por volta das 4 horas da madrugada. Gilda, que mora com uma irmã de 86 anos e uma enfermeira, entregou jóias e eletrodomésticos. A polícia não tem pista desse caso.
Hoje à tarde, a filha de Gilda, a funcionária pública Eliane Miranda, brigava com a firma de construção, que se recusava a retirar a escada.


