Quadra, 18 (AE) - A Câmara de Quadra, a 170 quilômetros de São Paulo, deu início hoje ao processo de cassação do prefeito José Valdir Lopes (PMDB), acusado de superfaturar obras e malversar o dinheiro público.
As denúncias, apresentadas pelo munícipe João Manoel Lopes, na sessão de ontem (17) à noite, incriminam o prefeito na contratação, por R$ 25,2 mil, de uma empresa para realizar obras de iluminação da entrada da cidade, quando o preço máximo de mercado do serviço foi cotado a R$ 16,8 mil. Valdir Lopes é acusado também de ter construído o novo prédio da prefeitura em terreno particular. Segundo o denunciante, depois que a obra estava praticamente concluída, ele mandou projeto à Câmara declarando a área de utilidade pública. Os vereadores não aprovaram e o dono do terreno entrou na Justiça. As obras foram paralisadas.
Valdir Lopes é acusado ainda de ter viajado para Praia Grande, na Baixada Santista (SP), com o objetivo de participar do Encontro Estadual da Juventude do PMDB, às custas do erário. Na viagem, foi acompanhado pelo presidente do partido no município, Luis Francisco Fragoso, e dois assessores. A comissão processante (CP), formada pelos vereadores Sérgio Roberto Lobo (PTB), Rogério Manoel de Almeida (PPB) e Miguel Lopes de Almeida (PFL), vai notificar o prefeito para apresentar defesa prévia, em dez dias. O autor da denúncia acusou o prefeito e o irmão dele, José Onivaldo Lopes, de tê-lo ameaçado de morte, hoje à tarde. Os dois teriam ido de carro à casa de Manoel Lopes e gritaram ofensas, segundo a queixa registrada na Distrito Policial (DP) de Quadra. Uma testemunha arrolada na denúncia, Odinei Laranjeira, teve o bar lacrado por ordem do prefeito. "Ele está tentando intimidar todo mundo", disse Lobo. O prefeito não foi encontrado para falar sobre as acusações.

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