Grozny, 01 (AE-AP) - O presidente interino Vladimir Putin assegurou neste sábado (01) ao país que na Rússia não haverá "vácuo de poder" após a renúncia de Boris Yeltsin.
Putin, que assumiu o poder ontem após a renúncia de Yeltsin, realizou uma inesperada e breve visita às tropas russas estacionadas na república separatista da Chechênia.
Putin agradeceu às tropas russas suas conquistas na ofensiva no Cáucaso em uma cerimônia realizada antes do amanhecer na segunda maior cidade da Chechênia, Gudermes. "Quero que saibam que a Rússia aprecia altamente o que estão fazendo", disse Putin em seu discurso a oficiais e soldados, transmitido ao vivo pela tevê.
"Não é somente sobre restaurar a honra e a dignidade da Rússia. É algo mais importante que isso, é pôr fim ao desmembramento da Federação Russa, que é a tarefa mais importante", disse Putin, acompanhado de sua mulher.
Ali, ele destacou que Moscou continua disposto a dialogar com os líderes chechenos, mas só após o cumprimento de determinadas condições.
Os combates em torno da capital chechena, Grozny, e no montanhoso sul do país continuavam hoje após uma breve interrupção durante a noite de ano-novo.
"Estamos dispostos a conversar a qualquer momento", disse Putin, segundo a agência Interfax. Contudo, os chechenos devem cumprir algumas condições antes, entre elas: condenar publicamente o terrorismo, entregar às autoridades russas os líderes rebeldes procurados e liberar todos os reféns que ainda estão presos na Chechênia.
No vôo de retorno a Moscou, Putin destacou que para pôr fim à ofensiva não existem "prazos concretos". O presidente interino também negou que pretenda fazer coincidir o fim da guerra com as eleições presidenciais antecipadas em março.
Putin, cuja popularidade baseia-se principalmente na ofensiva das tropas russas na Chechênia, é considerado o favorito para vencer essa eleição.
A poucos quilômetros de Gudermes, as forças russas seguiram adiante com a ofensiva contra Grozny. Segundo fontes militares, os rebeldes chechenos foram expulsos de uma fábrica de conservas
disputada há vários dias. A situação na cidade foi descrita por militares russos como "difícil e tensa".
Aviões de combates bombardearam os arredores de Grozny. E, mais ao sul, rebeldes e tropas russas combatiam duramente nos arredores de Shali (cidade sob controle russo situada a 25 quilômetros a sudeste de Grozny), segundo a Interfax.
Um grupo de aproximadamente 400 rebeldes tentou romper as linhas russas desde a montanha, mas o ataque terminou com "grandes baixas nas fileiras rebeldes".
As forças russas começaram hoje a desenterrar as minas e "limpar" os quartéis de Grozny tomados na véspera: Straropromyslovski (noroeste) e Starosunjenski (nordeste), informaram fontes militares citadas pela agência Itar-Tass.
Mais de 2.000 chechenos defendem Grozny em um combate sem esperanças, segundo estimativas de militares russos, que asseguraram que os rebeldes entrincheirados podem escolher entre render-se ou morrer, já que sair ileso da cidade é quase impossível.

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