Moscou, 20 (AE-AP) - O presidente em exercício Vladimir Putin voou hoje num jato de combate para a zona de guerra na Chechênia - uma iniciativa dramática visando provavelmente alimentar sua já enorme liderança nas pesquisas para a eleição presidencial do fim de semana.
Putin sentou-se na cadeira de trás de um jato Su-27 de dois lugares, que desceu no aeroporto de Severny, pouco ao norte da capital chechena de Grozny, depois de ter levantado vôo da cidade sulista de Krasnodar.
A estação de tevê NTV mostrou Putin, vestindo uma jaqueta de bombardeiro e um capacete azul, apertando a mão do piloto antes de sair do cockpit.
"É uma grande máquina - bonita, poderosa e muito dócil", afirmou Putin sorrindo ao ser perguntado sobre o vôo.
Putin, que deve muito de sua popularidade ao duro tratamento que deu ao conflito na Chechênia e à sua reputação de ser durão, disse que iria discutir os resultados da operação militar e estabelecer metas para a restauração pós-guerra da devastada região.
Apesar de Putin vir dizendo que está ocupado demais com suas obrigações presidenciais para fazer campanha para a eleição de 26 de março, a viagem teve todos os componentes de um ato de campanha.
A NTV mostrou Putin acompanhando a retirada de uma unidade de pára-quedistas russos. Os militares já anunciaram diversas vezes vitória na Chechênia, e estão lentamente diminuindo a presença militar mesmo com os rebeldes ainda ocupando posições na parte sul da província.
Pesquisas de opinião mostram Putin liderando a disputa presidencial com 50% a 60% das intenções de voto, enquanto o líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov, seu rival mais próximo, aparece com cerca de 20% das preferências.
O apoio a Putin é particularmente forte entre os militares, que esperam que ele irá cumprir a promessa de aumentar as verbas para as forças armadas. Putin passou o Ano Novo com tropas na Chechênia e já havia voado num jato de combate no começo da campanha.
O candidato comunista, Zyuganov, reclamou hoje que a campanha é injusta, dizendo que a televisão controlada pelo estado dá extensa cobertura às atividades de Putin enquanto quase não menciona os outros candidatos.
"Eles endossam desavergonhadamente uma candidatura, carimbando ela na pele das pessoas", afirmou Zyuganov numa entrevista coletiva em Moscou.

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