Moscou, 27 (AE-AP) - Vladimir Putin, assumindo o comando de uma Rússia fraca, pesada, como seu segundo presidente democraticamente eleito, admitiu nesta segunda-feira (27) a eleitores que não tem soluções rápidas para a pobreza e a corrupção que assolam sua nação.
Frio e firme como sempre, Putin mandou o governo pagar salários atrasados a funcionários públicos, e disse que a ordem do dia depois de sua convincente vitória na eleição de domingo será escolher um primeiro-ministro.
Putin, que há um ano era um pouco conhecido outsider político, tem prometido proteger liberdades democráticas, mas ainda tem de indicar como irá levar a imensa nação para a era pós-Boris Yeltsin. Putin, de 47 anos, foi nomeado presidente em exercício quando Yeltsin renunciou em 31 de dezembro de 1999.
Putin visitou Yeltsin em sua casa de campo nos arredores de Moscou na noite de hoje. "Você tomou o caminho certo. Você está fazendo seu trabalho, cumprindo suas obrigações", disse Yeltsin a seu sucessor depois de congratulá-lo em imagens mostradas na televisão russa.
Muitos russos esperam que Putin se distancie de Yeltsin, cujo comportamento errático, saúde frágil e acusações de corrupção em seu círculo íntimo contribuíram para seu declínio político. "Novas pessoas provavelmente aparecerão" quando Putin nomear seu governo, afirmou Dmitry Kozak, chefe de gabinete.
A posse presidencial será realizada no começo de maio. Segundo Kozak, Putin indicará um primeiro-ministro depois da posse, que irá então formar um governo, informou a agência de notícias russa Interfax.
O ministro do Exterior Igor Ivanov disse que serão feitas "correções" na política externa russa com Putin. Ele não entrou em detalhes.
A sobriedade de Putin e a forma firme como lida com questões impressionaram os eleitores. Eles gostaram de suas promessas de restaurar o poder internacional e militar da Rússia, lutar contra a corrupção, e combater a pobreza e as injustiças sociais.
Eles também admiraram sua determinação na luta contra rebeldes na república separatista Chechênia - apesar de que pode vir a ser um grande desafio para Putin pôr um fim gracioso à guerra. Putin reconheceu as imensas tarefas que terá de enfrentar e afirmou que não poderia prometer soluções imediatas.
"O nível de expectativa é muito alto. As pessoas estão cansadas, lutando e esperam que as coisas melhorem, mas não existem milagres", disse Putin em entrevista coletiva concedida hoje.
Mais tarde, ele reuniu-se com ministros do governo e ordenou que fossem pagos os salários atrasados de funcionários públicos até o dia 1º de abril, segundo o vice-primeiro-ministro Viktor Khristenko. Com Yeltsin, o governo muitas vezes deixou de pagar pensões e salários por meses.
O líder comunista Guennadi Zyuganov ofereceu uma luta maior do que esperada na eleição. Putin afirmou hoje que seu governo terá de levar em conta os milhões que votaram contra ele.
Putin disse que iria considerar trazer grupos de oposição para o governo. "Nossa política tem de ser mais balanceada, levando em conta a realidade existente e visando elevar o padrão de vida", afirmou.
Com 95,5 % dos votos apurados, Putin liderava com 52,6%. Zyuganov vinha em segundo com 29,3% e o liberal Grigory Yavlinsky aparecia em terceiro com 5,8%. Os outros oito candidatos estavam bem atrás.
Apesar de a votação de domingo ter sido apenas a segunda eleição presidencial democrática na Rússia, observadores internacionais consideraram o pleito livre e justo.
Entretanto, um comunicado da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) expressou preocupação de que a mídia privada e a controlada pelo governo tenham sido tendenciosas em favor de Putin durante a campanha. Putin recebeu ampla cobertura favorável na imprensa russa.
Zyuganov acusou o governo de ter falsificado os resultados, garantindo que o voto comunista foi mais do que 40%. "Eles estabaleceram uma zona de cobertura de fraudes para enganar os cidadãos", disse.
O chefe de campanha de Putin, Dmitry Medvedev, rechaçou as acusações de Zyuganov. Medvedev também negou que as chamadas oligarquias - magnatas russos que financiaram a campanha de reeleição de Yeltsin em 1996 e permaneceram próximos ao Kremlin - desempenharam um papel na vitória de Putin.
"Os oligarcas serão afastados do poder", disse Medvedev a repórteres.
Líderes mundiais saudaram com cautela a vitória de Putin. O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, telefonou hoje para Putin a fim de congratulá-lo e aproveitou para reiterar a consternação dos EUA com a guerra na Chechênia.

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