Putin vai à televisão atacar seu maior adversário: a abstenção
Moscou, 24 (AE-AP) - Numa tentativa de última hora de superar a apatia eleitoral que pode lhe roubar uma rápida vitória, o presidente em exercício Vladimir Putin pediu hoje (24) aos russos para votarem no domingo.
Pesquisas apontam que Putin tem uma grande vantagem sobre os outros 10 candidatos, mas não está claro se ele conseguirá o apoio suficiente para conquistar a vitória no primeiro turno, que exige mais de 50 por cento dos votos.
Se o comparecimento às urnas for menor do que 50%, a eleição será considerada inválida. Se Putin não conseguir mais do que 50% dos votos dados no domingo, um segundo turno será realizado em 16 de abril.
Alguns críticos de Putin têm defendido o boicote da eleição, que eles consideram ser injusta por causa da grande cobertura dada pela mídia controlada pelo estado às atividades de Putin.
Putin atacou iradamente seus adversários num discurso à nação na televisão russa hoje - o último dia de campanha oficial.
"O povo russo é a única fonte de poder, e aqueles que dizem que não existe necessidade de se ir às urnas estão tentando privar o povo de seu poder", disse Putin.
Durante a campanha, Putin insistiu que estava ocupado demais com suas obrigações presidenciais para fazer propaganda, ao mesmo tempo em que cruzava toda a Rússia no que eram descritas como viagens de trabalho.
Em seu pronunciamento pela televisão, ele evitou pedir diretamente apoio, e apenas falou aos eleitores que eles deveriam votar. "Estou pedindo a vocês apenas uma coisa - vão às urnas e votem", afirmou. "Ouçam sua consciência e façam sua escolha".
Ao mesmo tempo, Putin, que deve muito de sua popularidade à forma dura como tratou a guerra na Chechênia, não perdeu a chance de referir-se à campanha como uma prova das qualidades de seu governo.
"A sociedade se consolidou diante do perigo e ficamos mais fortes", afirmou Putin. "Em 26 de março não iremos eleger apenas o presidente, mas também o comandante-em-chefe de nossas forças armadas".
Putin reiterou sua promessa de restaurar o poderio militar russo e reconquistar o status de superpotência.
"Estamos escolhendo o presidente cujos deveres serão reanimar a economia, restaurar o prestígio do país e seu papel de liderança no mundo", disse Putin. "A Rússia é um dos maiores países do mundo e uma grande potência nuclear. Não apenas nossos amigos lembram disso".
Ele referiu-se à coincidência de a eleição ser realizada no mesmo dia em que passa a vigorar o horário de verão na Rússia, dizendo que isto teria uma significado simbólico. "O tempo antigo acabou. O dia da votação irá marcar o início de um novo tempo".
Enquanto isso, o principal rival de Putin, Gennady Zyuganov, acusou o governo de tentar minar sua campanha enquanto endossa abertamente Putin. Ele advertiu que pode haver fraude eleitoral em favor de Putin e afirmou que seus seguidores irão fiscalizar a contagem dos votos para evitar fraudes.
Zyuganov, líder do Partido Comunista, acrescentou que a votação na república separatista da Chechênia será virtualmente impossível de controlar e era um campo fértil para irregularidades. Ele acusou especificamente oficiais de estarem aumentando artificialmente o número de eleitores registrados na Chechênia.
"Tal cinismo compromete o conceito básico da eleição democrática", afirmou.





