Moscou, 28 (AE-AP) - O presidente em exercício Vladimir Putin e o líder do Partido Comunista Gennady Zyuganov concordaram hoje (28) em pelo menos uma coisa em sua disputa pela presidência - a Rússia tem de conter a influência de suas oligarquias.
"É crucial para nós criar condições iguais para todos, assim ninguém poderá agarrar-se ao poder e usar essa vantagem em proveito próprio", disse Putin num encontro com trabalhadores em sua campanha para a eleição de 26 de março.
Zyuganov, enquanto isto, afirmou numa entrevista coletiva que está lutando contra os "gatos gordos".
Putin também usou algumas figuras de linguagem coloquiais, dizendo que a Rússia precisa "não apenas nocautear (oficiais corruptos), mas saber quem deve ser nocauteado e de que forma", segundo a agência do notícias ITAR-Tass.
A corrupção se faz presente nas mais altas esferas de governo na Rússia, onde uma elite próspera foi formada enquanto cidadãos comuns se afundam em profunda pobreza. Putin e seus predecessores têm falado duro contra a corrupção, mas nenhum agiu com semelhante firmeza contra funcionários de alto nível que são suspeitos de aceitar proprinas e favores.
É amplamente disseminada a crença de que as políticas governamentais são manipuladas por um grupo de "oligarcas" - poderosos magnatas com fortes conexões governamentais - que são desprezados em toda a Rússia. A declarada intenção de Putin de conter a influência deles soa como música nos ouvidos dos eleitores.
Putin ainda não divulgou um programa eleitoral, apesar de ter publicado uma carta aberta aos eleitores na semana passada, prometendo construir um estado forte, combater a criminalidade, proteger a propriedade privada, enxugar o governo e diminuir impostos.
Hoje, Putin voltou a indicar que não irá tentar reestatizar bens privados.
"As garantias dos direitos de propriedade não são objetos de qualquer revisão", garantiu.
Enquanto isto, Zyuganov - que está bem atrás de Putin na maioria das pesquisas - criticou a falta de uma plataforma detalhada de seu adversário.
"Existem poucas propostas específicas, na maioria são apenas boas intenções", disse.
Sua própria plataforma sofreu poucas mudanças desde que ele perdeu para Boris Yeltsin nas eleições presidenciais de 1996, defendendo a reestatização parcial de companhias petrolíferas e de recursos naturais para aumentar o valor das aposentadorias.
"Estou lutando contra o gatos gordos, o regime de segurança e toda a desinformação que aparece sempre que surge uma eleição", afirmou.
Uma pesquisa divulgada hoje pelo instituto independente Romir indicou que cerca de 60 por cento dos russos estão dispostos a votar em Putin, contra 23 por cento planejando apoiar Zyuganov. A margem de erro é de quatro pontos percentuais.

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