MESKER-YURT, Rússia, 24 (AE-AP) - Olhando na direção do fim da guerra na Chechênia, o presidente em exercício Vladimir Putin disse nesta quinta-feira (24) que negociações podem ser promovidas com algumas facções chechenas e indicou que a república pode vir a ter algum nível de autonomia dentro da Federação Russa.
A declaração de Putin foi feita no momento em que militares russos garantiam que uma grande concentração de rebeldes fora dispersada com intensos ataques aéreos e terrestres nas montanhas sulistas da Chechênia.
Nestas montanhas, tropas russas capturaram picos estratégicos ao redor da cidade de Shatoi e os combatentes separatistas perderam um importante posto de comando, anunciou a cúpula militar da Rússia.
O núcleo rebelde em Shatoi foi quebrado em grupos de 15 a 80 combatentes, informou a agência de notícias ITAR-Tass, citando fontes militares. O ministro da Defesa Igor Sergeyev disse que 70 a 80 militantes foram mortos nos arredores de Shatoi desde quarta-feira, contra dois soldados russos.
Comandantes militares disseram no começo da semana que cerca de 2.700 militantes estavam concentrados nas proximidades de Shatoi, uma cidade 45 quilômetros ao sul da capital chechena de Grozny localizada numa ampla área da Garganta de Argun, que corta as montanhas.
O anúncio de que o núcleo dos rebeldes havia sido desmembrado não pôde ser confirmado independentemente e mesmo em pequenos grupos, os rebeldes, adeptos de ataques de guerrilha, podem infligir grandes danos às numericamente superiores forças russas. Mas a perda da estrategicamente posicionada Shatoi poderia enfraquecer seriamente os rebeldes.
Massivos bombardeios aéreos e de artilharia continuavam hoje. Aviões e helicópteros de combate federais realizaram mais de 120 missões de combate desde quarta-feira, anunciou o exército.
Autoridades militares disseram que seus comandantes não estavam planejando um rápido assalto a Shatoi e continuariam com os intensos bombardeios por enquanto - uma tática usado pelos russos para capturar Grozny no começo do mês.
Putin, falando à Rádio Baltica, de São Petersburgo, afirmou que "temos de derrotar ou destruir os terroristas". Ele também notou que "existem forças na Chechênia com as quais é possível estabelecer negociações".
Ele não especificou a quais forças se referia, mas o Kremlin apóia um grupo chamado Conselho Estatal da Chechênia, formado em Moscou no fim do ano passado por autoridades federais e integrantes do parlamento no exílio checheno.
Nos cinco meses de guerra, Putin vinha reiteradamente se recusando a considerar negociações com os rebeldes e sua declaração de hoje não pareceu ser uma mudança de política.
Mas, vindo um dia depois de expressar pesar pelo sofrimento dos chechenos sob o ditador soviético Josef Stalin, quando foram deportados em massa, seus comentários podem ser vistos como uma tentativa de amenizar animosidades caso a Rússia elimine de vez os rebeldes.
"Ninguém quer escravizar o povo checheno, prensá-lo num canto e apresentá-lo como um povo vencido", disse Putin. "Existem muitas maneiras e formas de se resolver problemas relacionados com autonomia, e elas serão encontradas."
Não houve detalhes sobre quanto de autonomia a Rússia estaria disposta a conceder à Chechênia. A república tinha uma independência de fato desde que os rebeldes provocaram um impasse com as forças russas na guerra de 1994 a 1996; desde então a república tem sido na prática ingovernável, tomada pela criminalidade - especialmente sequestros.
"Cometemos claramente um erro quando abandonamos esse território e o deixamos sem controle", afirmou Putin. "Acima de tudo, cometamos um erro com o povo checheno, que tornou-se refém desses bandidos e terroristas."

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