Moscou, 27 (AE-ANSA) - O presidente em exercício e primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, anunciou hoje (27) que as indústrias bélicas do país receberão em 2000 50% mais de receitas do governo do que em 1999 e, segundo revelou a imprensa
reintroduzirá a educação militar nas escolas a partir de setembro próximo.
Durante uma reunião do governo, Putin afirmou que o aumento dos pedidos militares não está relacionado com o conflito na Chechênia, mas que servirá para produzir material projetado para o exército do século 21 (visores noturnos, armas de raios, orientação dos soldados por satélite).
Segundo Putin, esses gastos deveriam ter sido feitos antes, mas faltavam os fundos, que agora estão disponíveis. "Durante os últimos anos", afirmou, "faltaram os financiamentos para as Forças Armadas, o que teve consequências negativas na capacidade defensiva do país".
O dinheiro para os investimentos militares, disse Putin, não provém do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas da venda de petróleo (cujo preço duplicou em um ano no mercado) e de armas (que está aumentando depois da crise dos anos 90).
O vice-primeiro-ministro Ilia Klebanov, responsável governamental pela indústria militar, explicou que o investimento em armas servirá para criar "um exército moderno, móvel e de armas novas", que permitirão que ele combata durante o dia e a noite. Com esse fim, acrescentou Klebanov, foi aumentado em 80% as verbas de pesquisa.
Espinha dorsal do antigo sistema produtivo soviético, o complexo industrial-militar sofreu uma grande decadência durante a década de 90 pela redução de investimento e a política de desarmamento que a Rússia perseguiu durante aqueles anos.
Apesar da crise e da fuga de cérebros que sofreu a Rússia depois da queda do comunismo, disse Putin, a indústria bélica conseguiu manter seu potencial científico e isso permitirá que sejam alcançados rapidamente os objetivos traçados.
A sobrevivência da pesquisa foi possível graças à exportação de armas, que em 1999 significou para a Rússia um ingresso de US$ 2 bilhões, equivalentes a 5 por cento do faturamento mundial do setor.
Poucos antes de Putin anunciar o reativamento da indústria bélica, o diário Novie Izvestia anunciava que o presidente em exercício assinou um decreto em 31 de dezembro (dia que Boris Yeltsin renunciou à presidência) que fará com que a educação militar seja reintroduzida nas escolas a partir de setembro.
Essa matéria, inventada pelo ditador soviético Josef Stálin, havia sido eliminada em 1991, quando o comunismo começava a se desmoronar no marco da "perestroika" (transparência) introduzida pelo último presidente soviético, Mikhail Gorbachev.
Segundo o diário, o programa de educação militar previsto por Putin não difere muito do stalinista. Assim, os alunos aprenderão como se carrega uma metralhadora, como se dispara e como sobreviver em tempo de guerra, enquanto que as alunas aprenderão a atuar como enfermeiras para seus companheiros, feridos em hipotéticas batalhas, tal como fizeram suas mães e avós.
A reintrodução dos "serviços militares" para os adolescentes
escreveu o diário, é apenas o prelúdio de outras inovações didáticas, como a introdução de um programa de "educação patriótica" que estudam os oficiais das Forças Armadas.

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