Moscou, 10 (AE-AP) - O presidente interino da Rússia, Vladimir Putin, adiantou hoje (10) ao diário russo Kommersant que depois das eleições presidenciais de 26 de março o governo pode estabelecer o controle direto sobre o Executivo da república separatista da Chechênia por um período de dois anos.
Putin ressalvou que o Kremlin está disposto a negociar um estatuto de autonomia para a região, com a condição de que seja mantida a soberania russa. Ele voltou a dizer que a "operação antiterrorista" - como o governo denomina a guerra no norte do Cáucaso - entrou em sua fase final.
Apesar do tom triunfalista do governo, as baixas das tropas federais estão aumentando e os combates entre os militares e os separatistas no território checheno continuam intensos na região montanhosa do sul, última região sob controle rebelde.
Hoje, o general Valeri Manilov, vice-chefe do Estado-Maior da Rússia, admitiu que as forças russas sofreram uma de suas piores baixas nesta semana desde o início da guerra na Chechênia, em outubro. Manilov afirmou que morreram 156 soldados e outros 157 ficaram feridos. As perdas indicam que as batalhas estão sendo mais encarniçadas do que as travadas em janeiro durante o cerco para a tomada da capital, Grozny. Na época, os dados oficiais indicavam a média de cem mortos por semana do lado russo. Mesmo assim, a imprensa moscovita continua acusando os militares de mascarar as baixas, que, de fato, seriam bem maiores.
A luta pelo controle da aldeia de Kommsomolskoye, no estratégico desfiladeiro de Argun, entrou hoje no sexto dia. Aviões e artilharia pesada bombardearam duramente a região, provocando a fuga dos civis. Praticamente todas as construções do vilarejo foram arrasadas. Os rebeldes conseguiram na semana passada romper o cerco federal nessa região, na qual estão desencadeando uma guerra de guerrilhas.

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