Punição pode limitar-se à cassação da imunidade11/Mar, 12:54 Santiago, 11 (AE) - O Estado chileno é parte, pela primeira vez na história, de um processo contra o ex-ditador Augusto Pinochet. A decisão histórica do Conselho de Defesa do Estado, organismo que atua como procuradoria federal, explicita ao mundo o desejo do governo chileno de aplicar, pelo menos, uma sanção moral a Pinochet pelas violações de direitos humanos cometidas durante o regime militar. A acusação da qual o Estado chileno participa diz respeito à "caravana da morte" - grupos de militares que se encarregavam de assassinar oposicionistas durante os primeiros anos do regime de Pinochet. Nos próximos dias o plenário da Câmara de Apelações de Santiago deve determinar se o juiz Juan Guzmán reuniu provas suficientemente fortes para que a imunidade parlamentar de Pinochet seja cassada. O ex-ditador tem direito ao privilégio por ser senador vitalício - prerrogativa constitucional que se concedeu antes de deixar o poder. "Seja qual for o desfecho do processo, ele tem de ocorrer no menor prazo possível", declarou à Agência Estado o cientista político Guillermo Holzmann, professor da Universidade do Chile. "O país não pode ficar refém de um processo que se arraste por muito tempo." Realista, o advogado de grupos de direitos humanos Nelson Caucoto acredita que a cassação da imunidade de Pinochet seria o máximo que a Justiça chilena poderia alcançar. "As Forças Armadas, e não somente o Exército, não permitirão que Pinochet seja levado ao banco dos réus", diz. "A imagem que se viu na chegada dele ao Hospital Militar, uma barricada de metralhadoras para impedir que qualquer um se aproximasse, é a expressão mais simbólica de que esse personagem é intocável." "Não fosse o poder militar, esse ente monolítico do Estado chileno, Pinochet não teria escapatória da Justiça", continua o advogado. "Seria julgado, condenado e só não iria para a cadeia por causa de sua idade avançada." Analistas políticos de todas as tendências do Chile acreditam que, apesar das pressões, a Justiça chilena está suficientemente madura e tem hoje independência para julgar Pinochet nos limites da lei. (R.L.)