Puerto Iguazú espera zona franca
Edna Mendes

Ney de Souza
Timoteo Llera é o prefeito da quarta cidade mais procurada por visitantes estrangeiros na ArgentinaO peronista Timoteo Llera administra a quarta cidade mais procurada por visitantes estrangeiros na Argentina. Até a década de 80, Puerto Iguazú disputava com Ciudad del Este, no Paraguai, a preferência dos compristas que vinham à fronteira.
A cidade, que era pólo do comércio de vestuário de couro e lã e de alimentação, sofreu no início desta década uma forte queda nas vendas depois da estabilização econômica, resultante do Plano Cavallo. O comércio da mais tranquila das três cidades da Tríplice Fronteira, vive hoje dias difíceis. A ‘‘dolarização’’ tornou os preços pouco competitivos e centenas de lojas fecharam as portas.
Mas o futuro da cidade parece estar mesmo nas mãos das autoridades de Buenos Aires. A cidade aguarda um novo impulso econômico com a provável criação de uma zona franca, praticamente já autorizada pelo presidente Carlos Menem. Altos investimentos feitos pelo governo federal no aeroporto internacional da cidade e em obras de remodelação do Parque Nacional del Iguazú dão esperanças de um novo ciclo de prosperidade à região. Tomando o tradicional chimarrão, que os argentinos chamam de mate, o prefeito Llera falou à Folha sobre estes e outros assuntos.
Folha - O que está sendo feito para melhorar a cidade e atrair mais turistas para Puerto Iguazú?
Llera - Puerto Iguazú, juntamente com Bariloche e Mar del Plata, são os centros turísticos mais importantes do país. Por isso, desde que assumimos a prefeitura estamos tratando de embelezar a nossa cidade. Investimos na remodelação das praças e jardins, em asfalto, e organizamos o trânsito e todo o setor turístico do município.
Folha - De que maneira o senhor pretende reativar a economia local?
Llera - Vamos reativar a economia local através de investidores. Temos investimentos muito importantes na construção do hotel do Casino Iguazú, com aproximadamente 80 apartamentos de luxo, um investimento entre US$ 18 e US$ 20 milhões. Também existem projetos de alguns empresários chineses e franceses que pretendem investir no ramo da hotelaria e de restaurantes. Aguardamos ainda a definição do governo estadual com respeito a 600 hectares de terras que estão destinados a Secretaria de Turismo do Estado, o que poderia ser usado para a construção de hotéis. Temos 13 hotéis em construção, precisamos que essas obras sejam concluídas para que possamos receber cada vez mais turistas. Somente na Semana Santa recebemos cerca 21 mil turistas, o que nos anima a investir em hotéis.
Folha - O que falta para que Puerto Iguazú atraia mais turistas?
Llera - Hotéis, restaurantes, boates e diversos tipos de serviços turísticos. A nossa intenção é dar outra modalidade ao turismo local. Queremos que Puerto Iguazú se torne uma cidade turística que respeita as normas ecológicas internacionais, dando prioridade à preservação ambiental, limpeza e reciclagem de lixo.
Folha - A estratégia política para desenvolvimento do turismo em Puerto Iguazú é em parceria com Foz do Iguaçu? Ou o senhor acredita que as duas cidades são concorrentes no setor turístico?
Llera - Puerto Iguazú e Foz precisam trabalhar juntas. Mas nós sabemos que não temos como competir com Foz, que tem cerca de 30 mil leitos em hotéis. Nós queremos fazer uma parceria com o Brasil para melhorar o nosso porte turístico.
Folha - Alguns segmentos turísticos de Foz do Iguaçu reclamam que Puerto Iguazú estaria tentando atrair mais turistas para a cidade, com a alegação de que Foz se tornou uma cidade violenta demais para ser visitada. O que o senhor diz sobre isso?
Llera - Isso não é verdade. Nós temos apenas cerca de três mil leitos em hotéis, o que nos impossibilita de receber um grande fluxo de turistas. Se tentarmos ‘‘tirar’’ turistas de Foz, isso vai nos prejudicar porque também dependemos dos turistas que visitam Foz. Quando me perguntam se Foz ou Ciudad del Este são cidades seguras, eu respondo que sou prefeito de Puerto Iguazú e o que acontece nas cidades vizinhas eu não sei.
Folha - O que mudou em Puerto Iguazú com a criação do Mercosul?
Llera - Para Puerto Iguazú especificamente, a criação do Mercosul não mudou quase nada. Para as grandes cidades, ele pode ter influenciado, mas para nós, adiantou muito pouco. O nosso comércio, que teve seu pico máximo em 1988, quando o poder econômico eram as vendas, teve que fechar centenas de portas nos últimos anos. Nossa gente teve que buscar outras alternativas para se manter e não nos resta outra alternativa a não ser o turismo.
Folha - Quais são suas expectativas de crescimento no turismo depois das melhorias que estão sendo feitas no Parque Nacional del Iguazú?
Llera - Uma vez concluído o projeto de remodelação do parque esperamos ter um aumento de 100 a 150% no número de turistas que visitam Peurto Iguazú. Junto com essas reformas, teremos ainda a reinauguração do aeroporto internacional e a inauguração do hotel do Casino Iguazú. Tudo isso nos faz acreditar num grande crescimento turístico para a cidade dentro de aproximadamente um ano.
Folha - Existe alguma iniciativa do governo argentino para incentivar a criação de uma zona franca em Puerto Iguazú?
Llera - Temos um projeto perto de se concretizar. Só falta a assinatura do presidente Menem para que seja criada a zona franca de Puerto Iguazú. Tenho expectativas que até o final deste mês o presidente autorize a criação da nossa zona franca, o que vai transformar radicalmente a nossa cidade. A partir disso, o nosso comércio vai voltar a ter destaque na fronteira.
Folha - Existe muita reclamação por parte dos turistas brasileiros que atravessam a Ponte Tancredo Neves para visitar Puerto Iguazú. O rigor da fiscalização argentina não estaria afastando os turistas brasileiros?
Llera - Nós temos conhecimento de que os brasileiros se incomodam com a nossa fiscalização. Por isso, estamos solicitando ao governo nacional que seja criado um corredor turístico, onde as barreiras de controle sejam instaladas fora da cidade como por exemplo, na Ruta 12, a aproximadamente seis ou sete quilômetros do trevo das Cataratas e outro na Ruta 10, que vai permitir que o turista circule livremente dentro das Três Fronteiras. Mas o que os brasileiros precisam saber é que essa fiscalização é fruto de uma lei nacional, o que nos impede de agir diretamente.


Ney de Souza
PERFIL

Nome completo:
Timoteo Llera
Idade:
41 anos
Partido:
Justicialista
Local de nascimento:
Puerto Iguazú
Profissão:
médico
Estado civil:
casado, quatro filhos

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