Curitiba - A Pontifícia Universidade Católica (PUC) inaugurou, ontem, as instalações do laboratório de Engenharia e Transplante Celular, que vai colocar a universidade na vanguarda das pesquisas em biotecnologia. No laboratório serão desenvolvidas técnicas de cultivo de células humanas, para tratamento de casos graves de diabetes e de moléstias do coração que exigem a necessidade de recuperar o músculo do órgão ou de enxertos cardiovasculares.
  As técnicas desenvolvidas no laboratório representam uma esperança de tratamento alternativo ao transplante de órgãos, principalmente do coração, disse o professor Paulo Brofman, médico cardiologista e professor da PUC. Segundo ele, para os casos de difícil tratamento foram desenvolvidas técnicas de biotecnologia que permitem o cultivo de células do paciente, em laboratório, que depois serão introduzidas no próprio paciente, dispensando a necessidade de transplante de órgãos nos casos mais graves.
  O laboratório exigiu investimentos de R$ 3,5 milhões, dos quais R$ 2,5 milhões foram financiados pelo Programa Paraná Tecnologia, do governo do Estado. A contrapartida da PUC, em torno de R$ 1 milhão foi aplicada na reforma do prédio que abriga o laboratório e na contratação de dez pesquisadores especializados em biotecnologia, informou Brofman. Estavam presentes à solenidade de inauguração o governador Jaime Lerner (PFL) e o reitor da PUC, professor Clemente Ivo Juliatto.
  Brofmann acredita que os primeiros transplantes de células cultivadas no laboratório poderão ser feitos no primeiro semestre do ano que vem. Até o final do ano o laboratório ainda aguarda certificação da Agência Nacional de Vigilância para o seu funcionamento. Segundo ele, a repercussão do trabalho realizado pelo laboratório será enorme, considerando que hoje no Brasil, cerca de 7% da população sofre de diabetes. Além disso, os males do coração afetam 2,5 milhões de brasileiros, dos quais 50% morrem em três anos por dificuldades de tratamento ou falta de transplante de órgãos. Brofman disse ainda que surgem 240 mil novos casos de insuficiência cardíaca a cada ano no País, para justificar a importância de se avançar em técnicas de biotecnologia para tratamentos mais difíceis.
  Para o reitor da PUC, além dos benefícios à população, com o funcionamento do laboratório será possível avançar também na área da pesquisa científica, com a criação de cursos de mestrado e doutorado, o que vai fortalecer o intercâmbio na área de biotecnologia.

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