São Paulo, 21 (AE) - Quais são as consequências para a imagem das empresas que anunciam seus produtos e serviços em veículos de comunicação que exploram a miséria humana e desrespeitam os direitos do cidadão? Esse assunto provocou discussões acaloradas hoje, em São Paulo, envolvendo o vice-presidente de Recursos Humanos e Assuntos Corporativos da Volkswagen do Brasil, Miguel Jorge, e o apresentador Carlos Massa, o Ratinho.
"O caminho para destruir a imagem corporativa de uma empresa ou suas marcas também passa pelo emocional", disse Miguel Jorge, sugerindo cuidado e ética para evitar a busca da audiência a qualquer preço. "A imprensa deve deixar de ser hipócrita e parar de atacar os programas populares; eu sei falar para o povão", defendeu-se Massa, dizendo que o Programa do Ratinho, do SBT, também tem grandes anunciantes, além dos pequenos que ele diz ajudar a crescer com sua média de 20 pontos de audiência.
O debate Audiência ou Qualidade - O que Interessa ao Anunciante? ocorreu hoje no 9º Encontro Internacional de Mídia, o Maximídia 99, realizado pela Meio & Mensagem Eventos e patrocinado pelo SBT. Também participaram da discussão o presidente da Fundação Padre Anchieta, Jorge da Cunha Lima, Aluísio Maranhão, diretor da revista Época, e Jarbas Nogueira, dos jornais "Notícias Populares" e "Agora São Paulo".
Miguel Jorge foi o conferencista e, em seu discurso inicial, afirmou que o ativo mais valioso de uma empresa é sua imagem corporativa. "Alguns anunciantes não se preocupam tanto com a qualidade editorial dos veículos, preferindo as vantagens do custo menor e da audiência encontradas nos programas populares." Apesar desse comportamento, Miguel Jorge revelou que empresários e agências, cada vez mais, rejeitam o mau gosto de programas que promovem o assistencialismo mentiroso, o preconceito e o messianismo inconsequente. "Pesquisas indicam que os jovens da classe C não gostam desse tipo de programa", disse Miguel Jorge.
Ratinho sentiu-se atingido, apesar de não ter sido citado nominalmente, e reagiu dizendo que não vê diferença entre o dinheiro da Volkswagen e o dos pequenos anunciantes. Ele disse que também concorda que a programação de TV deve ser educativa, desde que todos façam isso. "Alguém topa tirar as novelas do ar e transmitir o Telecurso 2000 às 8 da noite?", ironizou.
A platéia do Maximídia 99 reagia com aplausos, vaias e risos, quando Miguel Jorge respondeu: "É preciso algum QI para entender o que falei; meu discurso foi conceitual e não fui avisado que esse evento seria um programa de auditório."
O apresentador Carlos Massa disse que seu programa, há mais de um ano, não explora a miséria humana, mas, segundo ele, o Brasil precisa ver mais realidade e não apenas o mundo de fantasia das novelas. "Tiro do ar aquilo que o público rejeita quando responde às pesquisas."
Acreditando ser possível alcançar níveis de audiência significativos sem perder a qualidade editorial, Cunha Lima afirmou que os programas da TV Cultura que derem traço nas pesquisas por mais de 6 meses vão sair do ar. "Não podemos continuar gastando dinheiro público fazendo programas que ninguém vê", justifica.
Ele disse estar otimista quanto ao futuro da TV, acreditando que o público corresponde quando recebe em sua casa programas de qualidade. "Audiência a qualquer preço é um equívoco."

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