Brasília, 02 (AE) - Uma portaria de duas linhas e meia tirou hoje o sertanista Orlando Villas Bôas da Fundação Nacional do Índio (Funai), instituição que ele mesmo criou há quase 35 anos.
Mais que isso, praticamente encerrou uma carreira de quase meio século dedicada à causa indígena. Hoje, depois de uma reunião com assessores, o presidente da Funai, Frederico Marés Filho, avisou que o caso estava encerrado e não se falava mais no assunto.
Na mesma seção do Diário Oficial que exonerou oficialmente Orlando Villas Bôas - a comunicação extra-oficial da demissão já tinha sido feita por fax no dia 25 de janeiro - Marés nomeou para um cargo DAS-3 a socióloga Azelene Inácio, uma índia caingangue, do Sul, região natal do presidente da Funai.
Assessores da instituição asseguram que ela já era funcionária lotada na Coordenadoria de Direitos Indígenas e sua escolha já havia sido feita antes do episódio envolvendo Villas Bôas.
O desgaste provocado no governo pela exoneração de Villas Bôas do cargo de assessor da Funai, onde recebia R$ 1.300, originou uma onda de boatos sobre a demissão de Marés. O fato acentuou-se principalmente na noite de terça-feira, depois que o presidente Fernando Henrique Cardoso ligou diretamente para o sertanista se desculpando pela medida tomada por seu subordinado.
Entretanto, segundo fontes do Ministério da Justiça, Marés deverá permanecer no cargo, apesar da repercussão do episódio Villas Bôas. Na reunião com assessores, ele afirmou que a atitude tomada em relação ao sertanista seria a mesma que outro presidente deveria tomar. Desde a segunda-feira, quando a demissão de Villas Bôas foi anunciada, Marés evita falar com a imprensa. (E.L.)