PTB quer se livrar do estigma de fisiologista
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sábado, 13 de março de 1999
Por Lige Albuquerque 
Brasília, 14 (AE) - O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) terminou hoje sua convenção nacional anunciando uma nova feição do partido. "Adeus à ligação da sigla com o fisiologismo", afirmou o novo presidente, deputado federal José Carlos Martinez (PR). Segundo o presidente, o mesmo PTB que apoiou incondicionalmente o ex-presidente deposto por impeachment Fernando Collor de Mello e que teve ministérios e secretarias em todos os governos federais, agora não vai sequer solicitar novos cargos no governo.
O único ministro indicado pelo PTB hoje é o do Orçamento e Gestão, Paulo Paiva. Mas ele deixará o governo provavelmente esta semana para assumir uma das diretorias do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). "Não vamos pedir cargos ao presidente Fernando Henrique Cardoso, mas não faremos oposição, já que ajudamos a elegê-lo", justificou Martinez. Segundo o novo presidente do partido, contudo, o PTB não se recusará a nenhum convite de Fernando Henrique para participar do governo "se interessar ao partido".
O PTB continua com o mesmo número de 23 parlamentares da última legislatura. O partido tinha conseguido eleger 31 nessa legislatura, mas em menos de dois meses o troca-troca fez as perdas. Dos quatro senadores da legislatura passada, agora só há um, Arlindo Porto (MG). "Vamos evitar essas perdas com a nova cara do partido", prometeu Martinez.
O partido, que encerrou sua convenção nacional hoje, escolheu o deputado Luiz Antônio Fleury Filho (SP) como secretário-executivo. Na votação do primeiro turno da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), na semana passada, Fleury tentou emplacar uma emenda evitando que os dois primeiros anos da cobrança do imposto fosse de 0,38%. "Precisamos marcar uma posição mais independente", explicou.
Fleury não conseguiu aprovar a emenda e o líder do PTB na Casa, Roberto Jefferson (RJ) foi taxativo: "Como líder, peço aos colegas que votem a favor da emenda por causa da emergência do ajuste fiscal, mas peço com o coração partido". O líder afirmou ainda que, nessa nova fase do partido, o PTB se recusa recusar a votar qualquer aumento ou criação de novos impostos. "Imposto verde (sobre combustíveis) só no bojo da reforma tributária", sentenciou Jeffferson.
O ex-presidente do partido, José Eduardo Andrade Vieira, foi ministro nos governos de Itamar Franco (Indústria, Comércio e Turismo) e, no primeiro governo de Fernando Henrique, foi ministro da Agricultura por um ano. Saiu em abril de 1996, quando o seu banco, Bamerindus, sofreu intervenção do Banco Central e foi liquidado. Andrade Vieira afirmou não ter planos para continuar na política.


