PTB decide 4ª se intervém no diretório estadual de SP
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de junho de 1999
Por Lige Albuquerque 
Brasília, 18 (AE) - A Executiva Nacional do PTB reúne-se na quarta-feira (23) para decidir se irá intervir no diretório estadual paulista por ter considerado o programa partidário exibido na semana passada explicitamente pró-candidatura do governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), para a Presidência da República em 2002. Com expressões como "o maior governador que São Paulo já teve", o programa provocou a ira da executiva nacional e da bancada federal paulista.
Apesar do partido fazer parte da coligação que elegeu o governador paulista, a direção nacional da legenda, na escolha do novo presidente nacional, deputado federal José Carlos Martinez (PR), em abril, decidiu que irá lançar candidatura própria à Presidência. "Chega de ficar à sombra de outros candidatos", disse Martinez, no discurso de estréia. Na ocasião
o presidente disse que, antes de 2002, o partido iria "surpreender" em 2000 com o número de candidatos próprios nas prefeituras.
O PTB paulista indicou o secretário de Habitação do Estado de São Paulo, Francisco Prado de Oliveira Ribeiro, tem nove deputados estaduais, quatro federais e 74 prefeituras no interior.
Dos quatro deputados estaduais - Luiz Antônio Fleury Filho, Duílio Pisaneschi, Nelson Marquezelli e Celso Giglio -, apenas o último foi convidado para o programa. Segundo um membro do partido, Giglio não aceitou o convite porque os colegas não foram também convidados.
"O PTB paulista está indo na contramão dos avanços conquistados pelo nacional, no que tange à candidatura própria e fuga ao fisiologismo", disse Fleury Filho. "Com o programa, o partido em São Paulo demonstrou que quer continuar sendo uma legenda de aluguel."
Fleury disse que se sentiu atingido pelo programa, com as críticas feitas ao período do governo dele (1990-1994) pelo presidente do partido no Estado, Gastone Righi. "Não fico revoltado, só magoado com essa descortesia do presidente do partido no Estado", disse.
Para Fleury Filho, quem estivesse apenas escutando o programa, apresentado na televisão e no rádio, "pensaria que era do PSDB, tamanho o número de elogios a Covas". O deputado afirmou ainda que, apesar de ser membro da comissão da executiva estadual do partido, não foi consultado sobre como seria o teor do discurso apresentado no programa.
O presidente estadual do partido afirmou que a decisão da exibição do programa foi da executiva estadual. "Que eu saiba, só quem não gostou foi o Fleury porque toda a executiva aplaudiu", afirmou Righi. "Se o deputado (Fleury) tem rivalidade pessoal com o governador, eu lamento, mas temos de ficar acima disso."
De acordo com Righi, se as eleições presidenciais fossem hoje, não haveria candidato à Presidência: "Covas seria o novo presidente da República." Righi disse ser favorável à idéia do partido em indicar candidaturas próprias às prefeituras. "Só que não há ninguém dentro do PTB atualmente que possa fazer frente a uma candidatura certamente vitoriosa como a de Covas para a sucessão de Fernando Henrique Cardoso."
Para o presidente do PTB paulista, fazer um programa em apoio a Covas, "que faz um governo com altos índices de popularidade e seriedade", é também uma estratégia para fortalecer a legenda com o objetivo de disputar as eleições municipais de 2000. "O PTB é um partido que não tem vergonha de estar atrelado ao governo", justificou.


