PTB ameça romper aliança se não houver rodízio nas comissões
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2000
Por Liege Albuquerque 
Brasília, 17 (AE) - O PTB ameaça romper aliança com o PSDB se não for cumprido o acordo de rodízio na distribuição de titulares (presidências e relatorias) nas comissões permanentes e especiais da Câmara. "Se rompido o pacto, a aliança acaba como começou: rápido", disse hoje o presidente do partido, deputado José Carlos Martinez (PR), emendando "ter certeza da lisura tucana". Contudo, sem o cumprimento do ajuste, "feito em apenas uma reunião das cúpulas tucana e do PTB durante quase seis horas ontem, a aliança se dissolve", frisou Martinez.
O bloco PSDB-PTB soma 127 deputados - a maior bancada da Câmara. Passou para trás o PFL, com 101 deputados, que antes tinha a prioridade no revezamento de presidências e relatorias de comissões com o PSDB, e agora é o terceiro maior partido na Casa. O segundo ficou sendo o bloco PMDB, PST e PTN, com 102 deputados. Na próxima semana deverá ser realizada a costura dos acordos políticos para a composição das comissões permanentes e especiais da Câmara.
Martinez nega com veemência os rumores de que o PSDB teria oferecido ao PTB como moeda de troca na aliança cargos nos Correios, liberação de verbas e concessões de rádio e televisão. "As moedas são as comissões: somos um partido pequeno e jamais teríamos a chance de liderar comissões importantes sem a aliança", justificou. "Não é moeda de troca da aliança para 2002 porque está muito longe, apesar de haver possibilidade, e sequer combinamos de votar sempre com o governo: vamos continuar votando do jeito que nossa coerência permitir no momento."
O presidente do PTB diz que não teme nenhuma ofensiva pefelista para a quebra da aliança. "Só rompemos com o PSDB se não cumprirem as bases do acordo, e não vai ser ciumeira do PFL - partido que é natural perdedor nas eleições no Paraná - que vai riscá-lo", ironizou Martinez. Ele ironizou a afirmação do presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), de que a aliança "teve cheiro de imoralidade". "De aliança o PFL entende, então por consequência entende de moralidade", disse Martinez.
O líder do PTB na Câmara, deputado Roberto Jefferson (RJ), afirmou que confia "totalmente" na aliança com o PSDB. "Já tivemos exemplos de manutenção da palavra com o PSDB antes", disse. Jefferson contou que, há um ano, às vésperas de formalização do bloco PMDB-PTB, o PMDB recuou de última hora por pressão do PFL. "O Aécio (Neves, líder do PSDB na Câmara) concedeu ao Nelson Trad (MS) a segunda secretaria ano passado, quando não tínhamos aliança e é de se esperar essa decência agora com um bloco formado".
O vice-líder do PTB na Câmara, deputado Caio Riella (RS), disse que a aliança do partido com o PSDB é clara: "O PTB é um partido que quer o poder, tem uma bancada pequena de 24 deputados e foi chamado à aliança, não podia jamais perder a chance", justificou.
Segundo ele, o nome do deputado Luiz Antônio Fleury (SP) é o primeiro na lista para a presidência ou relatoria da principal comissão da Câmara, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Já o deputado Eduardo Paes (RJ), segundo Riella, deverá ser o relator da comissão especial da Câmara para estudar o salário mínimo, instalada na quarta-feira. O deputado explicou ainda que faz parte do acordo que, a cada três relatorias de comissões especiais (que incluem Comissões Parlamentares de Inquérito, Medidas Provisórias e outros projetos), uma será do PTB.


