PT vai definir sucessor de Genoíno na Câmara
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2000
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 17 (AE) - Maior partido de oposição, o PT começa na quarta-feira (19) o processo de escolha de seu novo líder na Câmara, o substituto do deputado José Genoíno (SP). Os dois nomes mais cotados para substituir Genoíno são Aloizio Mercadante (SP) e Walter Pinheiro (BA), o primeiro de tendência mais conciliadora, e o segundo mais radical.
"A bancada quer buscar o consenso na escolha do novo líder", disse hoje Genoíno. "Já somos minoria e se dividir ficamos fracos", argumentou o líder petista. Os deputados da bancada não fazem previsões do que pode ser definido no dia 27, quando a bancada bate o martelo em relação ao novo líder e seus vice-líderes. Genoíno rejeita a hipótese de que Pinheiro possa encontrar dificuldades porque a alagoana Heloísa Helena, da mesma tendência do colega (Democracia Socialista), já é líder do PT no Senado. "A bancada não deverá seguir a lógica das tendências", afirmou Genoíno.
De acordo o vice-líder do PT na Câmara, deputado Geraldo Magela (DF) também não será levado em consideração o fato de Mercadante pertencer a tendência majoritária (Articulação Unidade na Luta). "A escolha deverá ser aquela que mantenha a unidade do partido", aposta Magela, que decide amanhã (18) se inclui seu nome na disputa.
"Os dois candidatos têm a mesma legitimidade e o PT precisa fazer acordos internos", defendeu Genoíno, que deixará as atribuições de líder para lutar pela aprovação de seus projetos na Câmara, sem deixar de estar atento à eleição municipal em São Paulo. Ele não descarta a possibilidade de candidatar-se ao governo paulista ou pleitear um assento no plenário do Senado Federal. Tudo depende do resultado das eleições e da evolução interna do partido das discussões em relação à sucessão presidencial. "Caso Lula (Luiz Inácio Lula da Silva, presidente de honra do PT) não queira ser candidato, aceito a hipótese de colocar meu nome", afirmou Genoíno.
Segundo o deputado, o importante é que o próximo líder do partido na Câmara dê continuidade aos trabalhos, marcando presença e posições claras da bancada. Cerca de 60 mil petistas vão disputar cargos de veradores e outros seis mil prefeituras, algumas em grandes cidades, como São Paulo. "Este ano, vamos nos voltar para chamar a atenção de problemas sociais, como o desemprego, violência", contou.
Os dois candidatos a líder se elogiam e mantêm o discurso do consenso. "A disposição é de criar unidade", disse Mercadante. "A bancada é que vai dizer qual é o melhor perfil; faremos a construção de um pacto, onde um vai ter de abrir mão"
declarou Walter Pinheiro.


