PT usará campanha municipal para destacar presidenciáveis19/Mar, 19:54 Por Christiane Samarco Brasília, 19 (AE) - Mais do que pôr na berlinda o desempenho do governo Fernando Henrique Cardoso, antecipando o clima da disputa presidencial de 2002, o PT nacional quer usar a briga pelas prefeituras para desfilar seus presidenciáveis em palanques de todo o País. A 2ª Conferência Eleitoral do PT, encerrada hoje em Brasília depois de três dias de debates, decidiu abrir espaço nas campanhas eleitorais para seus líderes mais ilustres. "Vamos recomendar a todos os diretórios municipais que cedam à direção nacional 10% do espaço a que terão direito no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão", contou o coordenador da conferência, deputado João Paulo Cunha (PT-SP). A proposta ganhou o título de "emenda Lula", mas a idéia não é reservar a prerrogativa apenas ao presidente de honra do partido Luiz Inácio Lula da Silva. A lista dos "ilustres" que o PT quer prestigiar desde já, de olho no Palácio do Planalto em 2002 inclui cinco outros petistas de expressão nacional. "Além de Lula, terão lugar nos palanques petistas Brasil afora o presidente do partido, deputado José Dirceu (SP), o ex-governador do Distrito Federal Cristóvam Buarque, o líder na Câmara, Aloízio Mercadante (SP), o deputado José Genoíno (SP) e o senador Eduardo Suplicy (SP). "Daqui para a frente, a agenda desses seis líderes passa a ser feita de forma centralizada, pela direção nacional do partido", diz o coordenador da conferência. Vencida a tese de que as eleições municipais de 2000 serão a ponte para o sucesso do projeto de poder do partido em 2002, dirigentes e candidatos estabeleceram as prioridades do PT na disputa deste ano. A experiência mostra que o partido tem tido dificuldades para emplacar o sucessor nas suas prefeituras, apesar do bom desempenho administrativo de seus prefeitos, deficiência que deverá ser superada com a possibilidade da reeleição. Prioridades - A expectativa é reeleger pelo menos 80% dos 107 prefeitos. Em primeiríssimo lugar, ficou claro que o partido não admite perder o comando das duas prefeituras de capital que já tem: Belém (PA) e Porto Alegre (RS). Também é obrigatória a conquista das capitais dos dois Estados governados pelo PT: Rio Branco (AC) e Campo Grande (MS). Mas estratégicas mesmo são as capitais dos Estados mais populosos do Sudeste. Além de vencer com Marta Suplicy em São Paulo, os petistas querem ganhar no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, onde estarão coligados com o PSB do prefeito Célio de Castro. Também consideram imprescindível conquistar pelo menos uma capital do Nordeste, uma vez que avaliam ter boas chances de disputa em Salvador (BA), Natal (RN) e Teresina (PI). A cúpula do PT quer inserir nos programas de cada campanha municipal uma mensagem nacional de oposição à política econômica do governo federal. Para não ficar só na retórica, Lula sugere promover um debate de conteúdo, tendo como ponto de partida a experiência administrativa bem-sucedida na grande maioria das prefeituras petistas. A questão nacional será abordada a partir dos temas que mais afligem a população de todo o País, como saúde, segurança, desemprego e saneamento básico. Candidato a prefeito de Salvador o deputado Nelson Pellegrino (PT-BA) já havia sugerido que o partido divulgasse suas idéias sobre esses temas, argumentando que são questões sobre as quais já acumulou experiência na administração de cidades. No sábado, Lula anunciou o lançamento dia 9 da proposta petista para resolver o déficit habitacional no Brasil. Além de relatar experiências bem-sucedidas nessa área, a proposta do PT abordará também a questão do financiamento para a população mais carente.