São Paulo, 14 (AE) - O PT vai tentar demover o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), de sua decisão de não participar mais do fórum de oposição. O deputado José Dirceu, presidente do PT, e o líder petista Luiz Inácio Lula da Silva estarão às 11 horas de amanhã no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, para uma operação "apaga-incêndio". Em conversa reservada, dirão a Itamar que é imprescindível sua presença no grupo de seis governadores eleitos pela esquerda.
Itamar também receberá manifestações de solidariedade, às 14h30, no lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Autonomia dos Estados - um ato organizado pela Assembléia Legislativa de Minas. "Não é bom para o Brasil, para a oposição nem para a luta popular que os governadores do PT, PDT, PSB e Itamar estejam separados", afirmou Dirceu.
Embora os três governadores do PT não adotem o mesmo discurso de Itamar, a direção do partido, que participa da administração de Minas, está ajudando a organizar vários atos públicos de apoio a ele e contra o presidente Fernando Henrique Cardoso. Depois que o presidente chamou Itamar de Joaquim Silvério dos Reis, o traidor da Inconfidência Mineira, a manifestação preparada com mais entusiasmo é a do dia 21 de abril. A data da Inconfidência será comemorada em Ouro Preto (MG) e tem sido anunciada como "uma resposta".
Antes disso, na quarta-feira, a executiva petista vai reunir-se com os governadores da sigla: Olívio Dutra, do Rio Grande do Sul; Jorge Viana, do Acre, e Zeca do PT, de Mato Grosso do Sul. Na pauta está a avaliação das negociações com o Planalto. A cúpula do PT garante, no entanto, que não se trata de enquadrar seus governadores.
Aborrecido com as críticas que tem recebido dos colegas, Itamar usou de ironia, na quinta-feira passada, para explicar por que decidiu romper com o grupo de oposição. "Não sou oposição, eles é que são", cutucou. "Tenho respeito por eles, mas cada um sabe para onde aponta sua bússola."
Lula e Dirceu tentarão contornar as divergências, ressaltadas ainda mais pelo presidente do PDT, Leonel Brizola. Ex-companheiro de chapa de Lula na disputa presidencial de 1998, Brizola afirma não ver "nenhum sentido" no que chama de esforço do PT para aproximar Itamar de Fernando Henrique. "Será que o Lula se contaminou com a visita que fez ao presidente?", provocou.
Em rota de colisão com o PT e com o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), Brizola acha que Itamar pode ser a alternativa de centro-esquerda para a sucessão de 2002. Mas ele diz não estar empenhado na formação de outro partido para abrigar essa candidatura. "A vida partidária está em tal nível de mediocridade que não representa nenhuma esperança para o povo brasileiro", sustenta. "Os partidos não têm conseguido desempenhar seu papel."
Brizola sabe que Garotinho quer a Presidência, mas argumenta que Itamar "tem mais cancha". Nessa rede de intrigas
um fato é inegável: o governador mineiro conseguiu dividir a esquerda. Enquanto as direções partidárias tentam amenizar as desavenças, os governadores de oposição não poupam críticas a Itamar. Na semana passada, o governador do Amapá, João Capiberibe (PSB), disse que ele "passou dos limites" e acabou irritando seu próprio partido. Para tentar pôr panos quentes na briga, o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, também estará amanhã em Belo Horizonte.

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