Rio de Janeiro, 05 - O comando do PT fluminense recuou hoje da decisão de deixar imediatamente o governo Anthony Garotinho (PDT). Após uma reunião com o pedetista - em que o governador até acenou com a possibilidade de devolver a Secretaria de Transportes ao grupo do presidente do PT do Rio, Carlos Santana, com quem rompera -, Garotinho anunciou que nenhum petista deixará a administração agora.
A decisão final só será tomada, segundo o governador, depois que o diretório regional do PT decidir qual é a interpretação correta da resolução que determinou a saída dos cargos. "O texto é dúbio", disse Garotinho. "Não posso paralisar a administração por causa de uma dúvida." Enquanto isso não for resolvido, os petistas que ficarem no governo não sofrerão punições.
O recuo ocorreu depois que a Articulação, tendência contrária à entrega dos postos, ofereceu um acordo. Ele incluiria entregar a Santana a formação de um conselho político de governo, dar cargos ao grupo Opção Socialista, da deputada Cida Diogo, e a valorização do diretório regional como instância para relacionamento com o governador.
Também foi divulgada a notícia, não-confirmada oficialmente, mas que alarmou o grupo de Santana, de que o presidente de honra do PT, Luiz Inácio a Silva, defenderia a intervenção. O PT fluminense decidiu entregar os cargos depois que Garotinho chamou a agremiação de "partido da boquinha", por supostamente só querer cargos, o que causou revolta entre os militantes e deu espaço aos opositores de Garotinho.
A conversa de mais de uma hora, a portas fechadas, foi marcada por uma "tabelinha" entre Garotinho e o líder do PT na Assembléia Legislativa, Carlos Minc. "Santana, não tem meio-aliado, ou é aliado ou não é", disse o governador, em determinado ponto, ao presidente do PT. "É para sair ou não é?" Santana respondeu: "Acho que é". O parlamentar contestou, dizendo: "Não é isso não, a resolução é outra, eu estava lá". Santana lembrou que "era o único petista eleito" presente (o PT ainda não constituiu executiva regional), mas o deputado, de novo, não concordou. "Também sou eleito, sou líder da bancada."
Outro momento de colaboração entre o pedetista e o deputado ocorreu quando Garotinho, referindo-se à aproximação do presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, de Santana, disse a Minc: "Esse pessoal está namorando o Brizola, diz como era o Brizola."
O deputado bateu duro, acusando o ex-governador de se aliar com o setor fisiológico do Legislativo e não dialogar com o PT.
Garotinho também criticou o líder máximo de seu partido.
Houve tensão quando o governador afirmou que alguns políticos só iam lá pedir emprego e se referiu à "área médica", o que irritou Cida Diogo, que é médica. "Nunca vim aqui pedir nada", reclamou a deputada.
"Não me referia a você, foi o Jamil Haddad (deputado estadual pelo PSB)."
O governador revelou "não saber por que" Raul de Bonis que era secretário de Transportes, por indicação de Santana, mas que foi exonerado após o encontro, não voltava ao governo, e mostrou-se interessado na recondução. Santana, porém, afirmou não ter interesse em indicar mais ninguém.
Encerrada a reunião, Santana afirmou que apenas entregara a tese-guia aprovada no 18º Encontro Estadual e a resolução determinando a saída do governo. Ele explicou que questões relativas a quem permanecer no governo só serão decididas pelo diretório regional e descartou punições.
"Não há nenhum rompimento", afirmou o parlamentar, dizendo-se satisfeito porque Garotinho se declarou favorável à formação do conselho político, de caráter não-administrativo, e a melhorar a relação com a Assembléia Legislativa.

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