Brasília, 16 (AE) - O PT vai buscar aliança com parlamentares do PMDB e de outros partidos para levar o governo a priorizar a reforma tributária, em detrimento da reforma política, que ocupa o primeiro lugar na agenda do governo. O líder do PT, deputado José Genoíno (SP), disse que a prioridade do governo à reforma política é uma manobra para evitar a discussão de problemas reais vividos pela sociedade, como a pesada carga tributária, altas taxas de juros, desemprego etc.
"Enquanto a sociedade se vira com o arrocho, os políticos discutem sua eleição. O governo quer tirar o Congresso da agenda da sociedade.", protesta Genoíno. Para ele, a reforma tributária ou fiscal é prioridade máxima da sociedade e o governo está adiando a discussão porque a União não quer perder poder, diante do quadro de dificuldades conjunturais. O PT vai indicar membros para a Comissão Especial da Reforma Tributária, que será presidida pelo deputado peemedebista Germano Rigotto (RS), para impedir que a pauta do governo protele a discussão da matéria.
A estratégia do governo é encaminhar simultaneamente à Câmara e ao Senado, nos próximos dias, os pontos básicos da reforma política. Depois de aprová-la, em meados do ano, encaminharia a proposta de reforma tributária.
"O governo quer deixar a discussão tributária para os últimos quatro meses do ano. Nesse prazo não dá para discutir e aprovar matéria tão complexa. Aí caímos no ano 2000, de eleições para prefeitos e vereadores e fica inviável aprovar a reforma", diz o líder petista.
Segundo Genoíno, os pontos que formam a reforma política governista objetivam impedir o crescimento dos partidos de esquerda. "Como na Alemanha pós-guerra, adotou-se o voto distrital misto, para evitar o crescimento da esquerda", lembrou. Pelo sistema proposto pelo governo, metade dos parlamentares existentes seriam eleitos pelo voto distrital, ou local. A outra metade, pelo voto majoritário, como é hoje. Como os partidos de esquerda têm força na legenda, perderiam votos no sistema distrital. Os partidos governistas, por outro lado, são favorecidos pela oligarquia local, segundo o deputado.
"Temos deputados de opinião, de idéias, não de paróquia", disse o líder petista, lembrando que os mais votados nos estados são exatamente os parlamentares com essas características, como Aloizio Mercadante (SP), Paulo Paim (RS) e Miro Teixeira (RJ).

mockup