Recife, 10 (AE) - O PT quer adotar no próximo congresso nacional do partido, em novembro, uma série de medidas destinadas para controlar o processo de filiação, a fim de coibir irregularidades e evitar que novos filiados se tornem "massa de manobra" dos responsáveis pelo ingresso deles na legenda.
A informação é do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), da executiva nacional da sigla, que esteve no Recife para apurar suspeitas de irregularidades em 2.282 fichas impugnadas pelo diretório municipal.
Entre as medidas que podem exercer esse controle, segundo Chinaglia, está a de determinar que só possa ter direito a voto nos encontros do partido quem estiver filiado há pelo menos um ano.
Outra medida seria estabelecer a exigência de que só poderiam se filiar quem tivesse participado de pelo menos 50% do total de eventos realizados pelo diretório municipal.
Além do Recife, o partido também enfrentou denúncias de irregularidades em filiações no Rio, São Paulo e Belo Horizonte. A briga entre tendências pelo controle do partido seria o principal motivo das filiações em massa e das irregularidades.
No Recife, nos dois meses que antecederam a data limite para filiação, o número de novos filiados chegou a cerca de 4,3 mil, quase 30% do total de filiados no Estado.
"Foi um pico de filiação que nós estranhamos", afirmou o presidente estadual do PT, deputado Fernando Ferro (PE).
Depois da impugnação das fichas sob suspeita, a tendência Unidade e Luta, que seria a responsável pela maior parte das filiações, recorreu à executiva nacional do partido, o que motivou a ida de Chinaglia ao Recife. Ficou decidido que, até sexta-feira (13), as fichas serão checadas, regularizadas e, nos casos em que isso não for possível, impugnadas.
"O PT cresceu muito e aí surgiu essa prática de filiação sem controle", disse Ferro. "Precisamos de algum controle para impedir que isso se dissemine e se consolide; o PT não pode ser uma maçonaria, cheia de segredos, mas, igualmente, não pode ter portas abertas para oportunistas", completou Ferro.

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