Brasília, 17 (AE) - O PT prepara-se para tirar proveito político da disputa pelo poder travada entre PSDB e PFL. Os petistas acreditam que o racha na base aliada favorece a formação de alianças pontuais com um ou outro partido para garantir vitórias que, isoladamente, não teria contra o governo. O deputado José Genoíno (PT-SP) não descarta, por exemplo, o apoio ao PFL na votação de propostas como o reajuste do salário mínimo e a restrição de uso de medidas provisórias (MPs) pelo Executivo.
Ao mesmo tempo, o PT achou no racha dos partidos aliados do governo uma oportunidade e um filão para se destacar num ano de eleições municipais. Para isso, diz que vai afinar o discurso, propondo à sociedade discutir temas que ela quer ouvir. "A população está distante destas disputas entre partidos para ver quem tem mais poder; quer saber sobre o salário mínimo, segurança pública, pagamento de impostos", alegou Genoíno.
Na terça-feira (22), durante reunião de líderes com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), o PT vai apresentar a "agenda social". A idéia é mostra a população que o partido quer manter o funcionamento da Câmara pelo maior tempo possível, apesar das eleições, para debates sobre políticas de segurança, reforma tributária e judiciária e trabalho. "Estarei propondo que o recesso de julho seja adiado para setembro", contou Genoíno.
O deputado petista tem até mesmo a fórmula para atrasar o recesso: não se vota a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2001, impedindo, assim, a debandada de parlamentares para os Estados.
Para levar o discurso às ruas, o PT diz que pretende se envolver na promoção de eventos de porte, especialmente no Dia do Trabalhador, em 1.º de maio. "Queremos fazer uma outra Marcha dos Cem Mil", anunciou Genoíno.

mockup