PT quer lucrar com disputa entre PSDB e PFL
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2000
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 17 (AE) - O PT prepara-se para tirar proveito político da disputa pelo poder travada entre PSDB e PFL. Os petistas acreditam que o racha na base aliada favorece a formação de alianças pontuais com um ou outro partido para garantir vitórias que, isoladamente, não teria contra o governo. O deputado José Genoíno (PT-SP) não descarta, por exemplo, o apoio ao PFL na votação de propostas como o reajuste do salário mínimo e a restrição de uso de medidas provisórias (MPs) pelo Executivo.
Ao mesmo tempo, o PT achou no racha dos partidos aliados do governo uma oportunidade e um filão para se destacar num ano de eleições municipais. Para isso, diz que vai afinar o discurso, propondo à sociedade discutir temas que ela quer ouvir. "A população está distante destas disputas entre partidos para ver quem tem mais poder; quer saber sobre o salário mínimo, segurança pública, pagamento de impostos", alegou Genoíno.
Na terça-feira (22), durante reunião de líderes com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), o PT vai apresentar a "agenda social". A idéia é mostra a população que o partido quer manter o funcionamento da Câmara pelo maior tempo possível, apesar das eleições, para debates sobre políticas de segurança, reforma tributária e judiciária e trabalho. "Estarei propondo que o recesso de julho seja adiado para setembro", contou Genoíno.
O deputado petista tem até mesmo a fórmula para atrasar o recesso: não se vota a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2001, impedindo, assim, a debandada de parlamentares para os Estados.
Para levar o discurso às ruas, o PT diz que pretende se envolver na promoção de eventos de porte, especialmente no Dia do Trabalhador, em 1.º de maio. "Queremos fazer uma outra Marcha dos Cem Mil", anunciou Genoíno.


