Belo Horizonte, 31 (AE) - Os líderes do PT pretendem levar cem mil manifestantes a Brasília, num ato de apoio à abertura da comissão parlamentar de inquérito (CPI) mista para investigar o envolvimento do presidente Fernando Henrique Cardoso no leilão da empresa Telecomunicações Brasileiras (Telebrás) e ao requerimento contra o tucano por crime de responsabilidade, entregue na semana passada ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). A marcha, de acordo com o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), deverá ser realizada num prazo de 45 dias.
Para articular jornada, Dirceu esteve hoje em Belo Horizonte. "No caso das gravações, tem perjúrio, prevaricação e obstrução de investigação", afirmou. "Se nada disso é crime, o que é que é então?" Segundo Dirceu, a pressão popular será fundamental para driblar a operação abafa do governo. Além da marcha, o objetivo é reunir o maior número possível de abaixo-assinados. Participarão da mobilização os partidos de esquerda e as 80 entidades civis envolvidas no Fórum Nacional de Luta.
Dirceu esteve hoje com o prefeito de Belo Horizonte, Célio de Castro (PSB), e planejava reunir-se também com o governador Itamar Franco (PMDB). O encontro teve de ser adiado porque Itamar participava de uma série de solenidades em Juiz de Fora (MG).
Com Castro, o presidente do PT discutiu também a reforma partidária. "É importante repudiar as propostas do governo", afirmou, referindo-se à cláusula de barreira que extingue todos os partidos com menos de 5% de representatividade.
"Tirando os cinco maiores (PT, PSDB, PMDB, PTB e PFL), todos os partidos ficam ameaçados." De acordo com Dirceu, se não for possível derrubar as propostas do governo, a saída é lutar pela regulamentação da frente ampla como alternativa de sobrevivência dos partidos pequenos. Na frente ampla, que é um modelo vigente no Uruguai, os partidos são obrigados a se unir em torno de candidatura única, mas matêm a própria identidade.

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