PT quebra aliança e sai do governo do Rio
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segunda-feira, 10 de abril de 2000
Por Wilson Tosta e Murilo Fiuza de Melo 
Rio,11 (AE) - O PT decidiu hoje deixar o governo do Rio, rompendo com o governador Anthony Garotinho (PDT) e enterrando a possibilidade de repetir, na eleição presidencial de 2002, a aliança que uniu os dois partidos em 1998. A decisão, um dia após o governador dar um ultimato aos petistas - apoiá-lo ou sair - encerrou um conflito que se agravou em outubro e foi uma derrota do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva.
Lula telefonou hoje para o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), para tentar o fazer mudar de idéia. A vice-governadora Benedita da Silva (PT) fica no governo (o cargo é eletivo) e continua candidata à prefeitura.
A iniciativa de devolver a Garotinho as secretarias de Planejamento, de Ação Social e de Trabalho e cerca de 300 cargos subalternos foi anunciada após duas reuniões, uma do PT, na Vice-Governadoria, e outra dos petistas com Garotinho e pedetistas, no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador. No encontro fechado dos petistas, Dirceu, que chegara ao Rio dizendo que Garotinho "não podia dar ultimato ao PT", deixou clara a posição pró-saída. "Se continuar a postura de ficar no governo, vou embora", ameaçou o presidente do PT.
"Frente às divergências políticas e administrativas, tanto o PDT como o PT consideramos melhor a separação político-administrativa", anunciou Dirceu, no fim da tarde, após a segunda reunião. Ele destacou a "honestidade" de Garotinho e elogiou a postura dele nos recentes escândalos de suposta corrupção, afastando os envolvidos e encaminhando as investigações ao Ministério Público (MP). "Pessoalmente, quero destacar a honestidade do governador Garotinho e a sua integridade", disse Dirceu, afirmando também falar, nesse ponto
em nome de Lula.
O presidente do PT ressaltou que a saída se deve a divergências políticas e administrativas, não a questões éticas. "Vocês conhecem as divergências que foram surgindo: conselho político sobre condução de aspectos do governo e elas chegaram a um ponto que não temos mais respaldo da bancada estadual e da maioria do partido para permanecer", destacou. O parlamentar disse que o PT não fará oposição.
"Estamos fazendo uma separação amigável; vamos manter a nossa postura de independência e colaboração e, quando divergirmos, o faremos de maneira fraterna", afirmou. No encontro no Palácio Laranjeiras, de mais de duas horas, Garotinho reivindicou que a bancada petista voltasse à base do governo e apoiasse todas as iniciativas dele. Benedita defendeu a permanência. "Ela terá de curvar-se à maioria do partido", disse o presidente regional do PT, Carlos Santana. Benedita saiu abatida, sem dar entrevista. O secretário de Governo, Carlos Lupi (PDT), negou que o partido quisesse que o PT saísse do Executivo e disse que os pedetistas queriam uma definição dos petistas. "Não dava para o PT estar no governo e os seus oito deputados estaduais fazer oposição", explicou. O discurso conciliador de Dirceu, no fim da tarde, contrastou com as primeiras declarações que deu ao chegar ao Rio
de manhã. "O governo não pode ficar em torno de uma candidatura presidencial do Garotinho", atacou. Dirceu deixou claro que não aceitaria o ultimato. "Se não fosse o PT, Garotinho não teria sido eleito; somos governo, não estamos governo." De manhã, antes do rompimento, o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, defendera o afastamento do até então aliado. "Nós sentimo-nos muito desconfortáveis com a forma com que o PT atuou, assumindo atitudes insólitas, como, por exemplo, romper politicamente com o governo, mantendo-se nos cargos."


