PT propõe que candidatos afinem discurso crítico ao governo17/Mar, 20:47 Por Christiane Samarco Brasília, 17 (AE) - Reunida em Brasília, para a 2.a Conferência Eleitoral do PT, a cúpula nacional do partido propôs hoje que os candidatos a prefeito da legenda afinem o discurso crítico ao governo central, apontando os "erros federais" que dificultam a administração dos municípios. A idéia é aproveitar os palanques das cidades para começar a construir desde já a candidatura petista ao Planalto em 2002. "O partido precisa ir à eleição convencido de que 2000 é preponderante na construção da base para 2002", resumiu o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. No discurso de abertura da Conferência Eleitoral, ele adiantou que a direção nacional do partido não pode abrir mão de uma "fatia" do horário eleitoral gratuito do PT no rádio e na televisão para divulgar a mensagem ao Brasil. O presidente nacional do partido, deputado José Dirceu (SP), deixou claro que vencer a eleição é criar a consciência de que o modelo econômico de Fernando Henrique está superado e que o partido tem alternativas e condições de governar o País. Logo em seguida, o líder do partido na Câmara, Aloízio Mercadante (SP), apontou alguns temas nacionais que considera obrigatórios na campanha municipal. O líder citou o ajuste fiscal do governo que, segundo atesta, está tirando verbas da área social (R$ 1,8 bilhão só da saúde), o que dificulta muito a administração das cidades. "Temos de dizer que o governo não quer a reforma tributária porque patrocinou a aprovação da DRU (Desvinculação de Receitas da União) no Congresso, liberando R$ 40,6 bilhões para gastar como quiser", sugeriu Mercadante. Lula, Dirceu e Mercadante salientaram que o cenário político nacional é o mais favorável nesses 20 anos de existência do partido. "Estamos vivendo um momento que nos reserva um potencial de vitória inigualável", destacou Mercadante, ao lembrar que a maioria dos deputados mais votados do Brasil, como José Genoíno (SP) e Marcelo Déda (SE), é petista. Mas Lula recomendou, em seguida, mais profissionalismo do partido na análise de conjuntura durante a campanha. "Não podemos nos guiar pelo achismo", pregou Lula. "Temos de ter nossas próprias pesquisas para nos orientar." Ele extraiu das notícias do dia o "perigo" de adotar-se a postura amadora e pouco científica nas avaliações políticas. Lembrou que "toda a companheirada pensou que a Marta (Suplicy, ex-deputda, virtual candidata a prefeita de São Paulo, à frente nas pesquisas de opinião) cresceria com a desgraça do Pitta (Celso Pitta, prefeito paulista, do PTN), e se enganou". De fato, as últimas pesquisas mostram que foi a virtual candidata do PSB, deputada Luíza Erundina (SP), quem ganhou com o episódio das denúncias da primeira-dama paulista, Nicéa Pitta, contra o prefeito. "A Luíza cresceu dez pontos no eleitorado do Maluf", ressaltou Lula, para concluir: "Isso significa que não basta o governo estar ruim." Segundo Lula, para sair vitorioso das urnas municipais, o PT terá de acertar nas propostas, fazendo o discurso em cima das expectativas da sociedade local. Diante do crescimento de Erundina, Lula destaca que jamais negou o quadro político valioso que a ex-prefeita representa, mas adverte que não há razão para nervosismo. Ele acredita que, na hora da eleição, o PT, "que é maior e melhor estruturado" que o PSB de Erundina, fará a diferença. "De qualquer forma, ter duas candidatas do campo da esquerda disputando o eleitorado já é uma vitória." As estratégias eleitorais e o modo petista de governar ainda serão objeto de debates e mesas redondas que o partido promove amanhã (18) e domingo (19), com a presença de prefeitos e ex-prefeitos que apresentarão as experiências bem sucedidas aos candidatos. Em pauta, programas como a bolsa-escola do ex-governador do Distrito Federal Cristóvam Buarque.

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