Rio, 23 (AE) - O PT fluminense poderá aprovar amanhã (24) a entrega dos cargos que ocupa no governo do pedetista Anthony Garotinho. A proposta será apresentada ao plenário do 18º Encontro Estadual do partido pelo vereador Adilson Pires, líder do grupo Campo de Ação Popular, e terá o apoio dos grupos Opção Popular e Refazendo.
Juntas, as três tendências com apoio de outros agrupamentos tinham hoje a maioria dos votos em reunião. O encontro começou neste sábado e foi marcado por tumulto e brigas.
O rompimento - que não significa, segundo Pires, que o PT irá para a oposição - seria a resposta do partido às recentes declarações do governador, que ontem (22), em polêmica sobre o secretariado, chamou a legenda de "Partido da Boquinha", que estaria querendo cada vez mais vagas no governo. "O governador tratou o PT de forma descortês e grosseira", disse Pires. "Acho que ficar seria uma humilhação imposta ao partido."
Para ele, Garotinho quis colocar o PT na rua "pela porta dos fundos". "Prefiro sair pela frente", declarou.
A possibilidade de aprovação da proposta é grande porque a Articulação aparentemente está em minoria no encontro e isolada, sem possibilidades de diálogo com outros grupos. Na primeira votação do encontro, a tendência, à qual é filiada a vice-governadora Benedita da Silva, teve apenas 285 (43,11%) do total de 661 votos para a proposta de permitir que as teses que forem a segundo turno de votação possam ser mais uma vez defendidas.
A proposição contrária, que uniu Opção Popular, Refazendo, Opção Socialista e Campo de Ação Popular, teve 372 (56,97%) dos votos. Houve quatro abstenções. No início da tarde havia 886 delegados credenciados no encontro, mas nem todos estavam no plenário, numa sede de esportes do Clube dos Portuários.
O deputado Carlos Santana, líder do Opção Popular, não quis adiantar qual será a sua posição na votação de amanhã, mas tem dado sinais de crescente insatisfação com Garotinho e deve mesmo retirar seu grupo do governo. O grupo de Santana (que indicou o secretário de Transportes, Raul de Bonis) avalia que é grande a possibilidade de ser excluído dos cargos por iniciativa do próprio Garotinho.
O Campo de Ação Popular está fora da administração, embora não se oponha à aliança com Garotinho, e o Refazendo é contra a participação porque defendia candidatura própria ao governo do estado, com Vladimir Palmeira.
A aprovação da proposição deverá, porém, causar grande constrangimento à Articulação, que controla as secretarias de Planejamento (com Jorge Bittar) e Trabalho (com Gilberto Palmares) e de Esportes e Ação Social (com Antônio Pitanga). Atualmente, o PT tem 12 sub-secretarias e 200 filiados que ocupam cargos na máquina do estado.
Briga - Militantes e dirigentes petistas se envolveram em uma troca de agressões, às 16h15, no plenário da convenção, junto à mesa diretora dos trabalhos do encontro. O motivo foi uma divergência sobre a votação de recursos envolvendo delegados do interior.
O conflito foi contornado rapidadmente, mas o ambiente prosseguiu tenso, com provocãções e gritos de "fita, fita". Era uma alusão à gravação com suposta tentativa de compra de votos por um integrante da articulação.
Às 16h50 houve novo tumulto no plenário. O secretário Antônio Pitanga envolveu-se em um bate-boca com militantes do Refazendo, gerando nova briga pouco depois. O secretário não se envolveu no conflito.

mockup