São Paulo, 05 (AE) - O PT liberou hoje os três governadores do partido para discutirem suas realidades com o governo federal. Depois de uma reunião de quatro horas, em São Paulo, entre a direção do PT, líderes da bancada na Câmara e no Senado e os governadores Olívio Dutra (Rio Grande do Sul), José Orcírio dos Santos (Mato Grosso do Sul) e Jorge Viana (Acre), não houve acordo sobre a contribuição previdenciária dos inativos. Mesmo assim, foi estabelecido um novo patamar de relacionamento entre os governadores e a bancada petista.
"Conseguimos conversar sem imposições e ficou acertado que não tem problema a gente ter opinião diferente", relatou o governador do Acre, Jorge Viana. No dia 22 de outubro, o PT praticamente impôs aos governadores do partido que não comparecessem à reunião com o presidente Fernando Henrique Cardoso, provocando uma uma crise, agora contornada. Viana, por exemplo, defende o apoio do PT à emenda constitucional enviada pelo Planalto ao Congresso, estabelecendo a contribuição previdenciária para servidores aposentados e inativos. Mas com uma condição: que seja ampliada a faixa de isenção de R$ 600,00 para R$ 1.200,00. O aceno já foi feito pelo Planalto, na tentativa de atrair o apoio da oposição.
"Temos obrigações institucionais com o governo federal e acho que essa é uma base concreta para o acordo", disse Viana. No Acre, a contribuição previdenciária dos inativos é de 8% e o governador quer isentar do pagamento quem ganha menos de R$ 1.200,00. O líder do PT na Câmara, José Genoíno, discorda. Acha que o rombo na Previdência não pode ser solucionado com a taxação dos aposentados, e sim com "alternativas mais globais"
mesmo que demoradas. "Se não conseguirmos contruir uma posição comum, continuaremos com pontos de vista diferentes, sem nenhuma crise", resumiu o deputado.
A cúpula do PT e seus parlamentares defendem o "encontro de contas" entre as dívidas dos Estados e da União e a fixação dos subtetos salariais não só no Executivo, mas também no Judiciário e Legislativo. "Essa bomba não vai ser resolvida só taxando os inativos, porque, se fosse assim, seria preciso matar todos eles", afirmou Genoíno. "Pôr o passivo dos Estados numa negociação com a União, envolvendo um encontro de contas, é uma solução muito mais consistente."
Para o governador de Mato Grosso do Sul, conhecido como Zeca do PT, a questão da Previdência é muito preocupante "e vai estourar mais dia, menos dia". No Mato Grosso do Sul, os inativos não pagam contribuição previdenciária. Zeca disse estar discutindo com seu partido "uma saída mais realista" para o problema, mas não quis adiantá-la. "A partir de agora, estamos sintonizados", observou. "Às vezes a gente erra, mas corrigimos."
Olívio Dutra, do Rio Grande do Sul, não respondeu se continuará descontando dos aposentados do Estado a contribuição de 1,8%, instituída na administração de seu antecessor, Antônio Britto (PMDB). O PT gaúcho decidiu que Olívio deve parar de cobrar, apesar do rombo nas contas da Previdência. "Essa não é a questão principal", desconversou. Na reunião de hoje, o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, insistiu em que a conveniência da taxação somente mereceria ser analisada se houvesse um debate mais amplo, por parte do governo, sobre seguridade social.

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