PT lança na segunda-feira movimento contra política econômica
Brasília, 04 (AE) - O presidente nacional do PT, deputado federal eleito José Dirceu (SP), disse hoje em discurso na tribuna que o PT lançará na segunda-feira (08), em São Paulo, o Movimento de Defesa do Brasil. "O País precisa da união de todos que querem mudar essa política econômica", conclamou Dirceu. "O Brasil já mostrou em momentos de crise que tem saídas legais e constitucionais, como aconteceu durante o governo Collor", sugeriu o deputado petista, referindo-se a mobilização popular que acabou levando ao impeachment do presidente Fernando Collor.
Para o deputado, é preciso discutir imediatamente iniciativas legislativas e judiciais para apurar crimes de responsabilidade do governo federal por causa do acordo fechado com o Fundo Monetário Internacional. "É preciso que a sociedade leve este debate aos Supremo Tribunal Federal." Ele divulgou hoje propostas de mobilização do PT, que sugere entre outros pontos, uma campanha popular pela anulação do acordo do governo brasileiro com o FMI, fechado entre os meses de outubro e novembro do ano passado. "O Brasil tornou-se um protetorado do FMI", declarou.
O PT defende a centralização do câmbio, considerada essencial para aumentar o controle do governo sobre as contas externas e impedir a sangria de reservas, apoio à substituição de importados, o fim das privatizações, o combate a inflação, incentivo às exportações e a defesa do Mercosul, além da criação de um "crédito solidário" para criação de novos empreendimentos e um novo programa de geração de empregos e promoção da reforma agrária.
A intenção do partido é criar uma grande aliança que inclua setores do empresariado. Para o líder do PT na Câmara, deputado Marcelo Déda, o presidente Fernando Henrique está acuado. "O governo continua fazendo muito discurso mais perdeu o controle do País", avaliou. Segundo Déda, o principal motivo do rompimento definitivo do diálogo das esquerdas com o governo foi a escolha de Armínio Fraga para a presidência do Banco Central. "Foi um gesto simbólico de que Fernando Henrique não comanda mais a política econômica e que o governo optou por um modelo pefelista e liberal", atacou o líder petista.
Para Déda, é o governo que permanece com uma postura arrogante ao indicar a radicalização de um modelo econômico, que comprovadamente não deu certo. "Mas não é aquela velha arrogância com sorriso nos lábios, mas uma arrogância com espasmos de desespero", provocou. Ele alertou para o processo de radicalização do governo federal com os governos de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul: "É bom lembrar que o presidente e seu governo perdeu a legitimidade e base social", disse Déda, defendendo a mobilização das ruas.





