PT fica no governo Garotinho mesmo sem pedido de desculpas
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terça-feira, 28 de dezembro de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 28 (AE) - Sem um pedido de desculpas, por ter sido chamado pelo governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), de "partido da boquinha", o PT entregou hoje ao pedetista um documento oficializando a sua permanência no governo estadual. A retratação era reivindicada pelo presidente de honra da legenda, Luiz Inácio Lula da Silva, que também queria que Garotinho assinasse um protocolo com seus compromissos -outra reivindicação que os petistas abandonaram. O presidente da legenda, José Dirceu, disse que a questão está superada.
"O PT não é o partido da boquinha, todo mundo sabe disso", disse Dirceu. "Já saímos de vários governos, inclusive nossos; expulsamos uma prefeita de capital e íamos expulsar o prefeito de Campinhas; saímos do governo do Dante de Oliveira (MT) e do de (Waldir) Raupp, em Rondônia, quando mudaram a orientação programática." O governador afirmou que não há razão para que os petistas fluminenses deixem a administração. Segundo Dirceu, o documento estabelece o que é importante para o PT: a criação de um conselho político, uma nova relação com a Assembléia Legislativa e programas de governo.
O parlamentar deu entrevista após o encontro com o governador, no Palácio Guanabara, com o presidente regional, deputado estadual Carlos Santana, a vice-governadora, Benedita da Silva, e o líder da bancada, Carlos Minc. Garotinho não quis participar da coletiva. Em outubro, o governador abriu uma crise no PT, ao chamá-lo de "partido da boquinha", por sua suposta voracidade por ocupar cargos públicos. O 18º Encontro Estadual do partido ordenou que os petistas entregassem seus cargos no governo. Garotinho exonerou os petistas ligados a Santana. Outros, da tendência Articulação, ficaram nos postos.
Problemas - O presidente do PT regional disse que o documento, O PT no Governo do Estado do Rio de Janeiro, aprovado em reunião no último dia 5, é apenas "o primeiro de uma série". Outros serão elaborados em 2000, a partir da discussão de políticas públicas e das eleições municipais.
Minc afirmou que o PT reivindicou compromissos mais claros do governador, no próximo ano, com programas como o Bolsa-Escola e o Orçamento Participativo, o que, segundo sua versão, teria sido aceito por Garotinho. Não houve, porém, nenhuma manifestação formal pública do governador a respeito das reivindicações, e mesmo Santana disse que, antes, é preciso fazer os seminários.
"Nós estávamos com algumas preocupações em relação a metas importantes do PT, que estavam sendo tocadas, mas não, digamos assim, com a principalidade, a visibilidade, que nós gostaríamos", relatou Minc. No encontro reservado, Garotinho reafirmou aos petistas sua disposição de apoiar a candidatura de Benedita à prefeitura em 2000 e voltou a se queixar do presidente nacional do PDT, Leonel Brizola.
Brizola quer lançar candidatura própria a prefeito da capital. Dirceu disse que vai trabalhar para que o PT tenha candidato, com o apoio de Garotinho. "Brizola assumiu um compromisso conosco, público, de apoiar a candidatura do PT, no caso da vice-governadora Benedita", afirmou Dirceu, embora reconhecesse que o PDT tem direito de mudar. "Vamos trabalhar para o PT ter uma candidatura e vencer as eleições, com apoio ao governador Garotinho, que reiterou isso hoje."


