PT e PSDB divergem sobre táticas para impeachment
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domingo, 16 de abril de 2000
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 17 (AE) - Vereadores do PT e do PSDB na Câmara de São Paulo têm posições divergentes sobre as táticas a serem adotadas na sessão de amanhã (18) para evitar a vitória dos aliados do prefeito Celso Pitta (PTN). Com isso, as bancadas de oposição ainda não definiram a estratégia que será usada para tentar a abertura de uma comissão processante (CP).
Para não correr riscos de serem derrotados, os parlamentares da oposição devem usar um dispositivo comum dos governistas: esvaziar o plenário para que não haja quórum mínimo de votação. É que, caso a oposição não consiga os 33 votos necessários no momento da votação, o processo é automaticamente arquivado.
O esvaziamento do plenário é defendido pelo líder do PT na Câmara, José Eduardo Martins Cardozo. "Só temos chance de dar um tiro e ele tem de acertar o alvo", justificou Cardozo, lembrando que a matéria não pode ficar pendente de votação - ser votada novamente em outra sessão.
Por isso, segundo o petista, os defensores do impeachment não podem correr o risco de perder em plenário.
O líder do PSDB, Aurélio Nomura, defende posição diferente. "Adiar a votação é dar uma oportunidade para que os governistas se articulem", disse Nomura. O líder do PSDB afirmou que é pouco provável que a abertura de uma CP não seja aprovada em plenário. "Há um clamor popular muito grande e a imprensa tem noticiado que temos votos suficientes", argumentou Nomura. "Não poderíamos ter admitido um recuo sem apurar se temos os votos suficientes", disse Nomura, numa crítica indireta à posição defendida por Cardozo.
Amanhã, as 14 horas, a oposição irá reunir-se para contabilizar os votos favoráveis e definir uma estratégia em plenário. "Não podemos rifar a votação", disse o vereador Dalton Silvano (PSDB). "A oposição não pode correr o risco de o processo de impeachment ser arquivado, independente da maneira como isso será feito no plenário", completou o tucano.


