São Paulo, 19 (AE) - O PT e o PPS, dois partidos de oposição que estão no páreo presidencial, têm o desenvolvimento como eixo central de sua proposta para o País e defendem a centralização do câmbio para evitar a fuga de capitais de curto prazo que têm, de certa forma, irrigado a economia. A diferença entre o PT de Luiz Inácio Lula da Silva e o PPS de Ciro Gomes é quanto à intensidade das medidas, que resultariam na liberação de poupança interna para investimentos e no crescimento da economia.
No diagnóstico da oposição, a economia só deslanchará se houver investimento - e este, por sua vez, está condicionado à poupança interna. Como o Estado está falido, acaba consumindo a poupança interna para manter-se, impedindo o crescimento. A União consome muito dinheiro em juros, altos, para rolar sua dívida interna e o grosso dos títulos públicos tem um vencimento de curto prazo.
O PT propõe medidas de caráter imediato para liberação de crédito ao setor privado, que aqueceria a economia. Sugere a redução de juros, o uso do BNDES, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Nordeste como agentes de fomento do desenvolvimento e uma política de substituição e controle de importações, como forma de incentivar a produção interna. Nas relações com outros países, o Brasil, na visão do PT, deveria controlar o câmbio, renegociar a dívida externa e lutar por uma "presença soberana na Organização Mundial do Comércio (OMC)".
Ciro Gomes propõe que se faça uma negociação de toda a dívida pública para alongar seu perfil - proposta criticada por seus adversários. Eles vêem nesse ponto uma dose de obrigatoriedade que pode deixar o mercado apreensivo, se o pré-candidato disparar nas preferências do eleitorado.
O candidato do PPS propõe também a centralização cambial, como uma maneira de evitar a saída maciça de investidores estrangeiros, no caso de uma negociação do perfil da dívida. Ciro também defende a adoção de medidas de caráter fiscal, como a reforma tributária e da Previdência.

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