Rio, 31 (AE) - O PT do Rio não conseguiu reunir hoje o diretório regional, que votaria a maneira de interpretar a decisão de entregar os cargos no governo do Estado, tirada no encontro estadual. O presidente do partido, deputado Carlos Santana, vai entregar ao governador Anthony Garotinho (PDT), na próxima sexta-feira, a resolução do encontro - mas sem que o próprio PT tenha definido se seus secretários e demais cargos podem permanecer no governo, caso Garotinho não aceite os pedidos de demissão.
Sem o respaldo do diretório, Santana não poderá propor ao governador uma negociação para encerrar a crise com o PT. O grupo do deputado, Opção Popular, com o apoio da tendência mais à esquerda, o Refazendo, tinha preparado um documento que acenava com uma possibilidade de volta ao governo. "Vou secamente levar ao governador a resolução, mas não tenho autorização do diretório para abrir uma negociação política, para falar da criação do conselho político, da relação com a bancada petista na Assembléia Legislativa", apontou Santana.
Para o presidente do PT, porém, a entrega dos cargos é ponto pacífico. "Todos os petistas têm de sair do governo a partir das 17 horas do dia 5", garantiu Santana. A ordem inclui, segundo ele, os titulares dos cargos ligados à Articulação - corrente liderada pela vice-governadora Benedita da Silva -, que, num acordo com Garotinho, puseram seus postos à disposição e tiveram os pedidos de demissão negados pelo governador. "É claro que não valeu"
afirmou.
Integrante da Articulação, o presidente da companhia de processamento de dados do Estado (Proderj), Sérgio Rosa, rebateu: "Já entreguei meu cargo, o governador me manteve e vou continuar trabalhando normalmente".
Uma manobra da Articulação impediu a realização da reunião. Minoritários, com 21 diretores contra 24 das tendências adversárias, os integrantes da Articulação recusaram-se a participar caso o diretório não aceitasse o voto de três representantes dos setores de mulheres, sindicatos e deficientes físicos. Segundo a Articulação, eles teriam direito a voto; as outras correntes defendiam que os representantes setoriais só poderiam votar caso houvesse uma decisão do encontro regional a respeito.
Intervenção - Os três representantes são da Articulação e dariam a ela o empate na votação sobre a entrega dos cargos. Na sexta-feira passada, a Articulação já havia entrado com recurso no diretório nacional - que se reunirá no próximo fim de semana - para fazer valer os votos setoriais. "Ganhamos tempo até sexta-feira para conversar com o Carlinhos Santana", comemorou o vice-presidente municipal do PT, William Campos.
Dentro das tendências que se opõem à Articulação, há a certeza de que a corrente está apostando em sua maioria no diretório nacional para, mais uma vez, conseguir uma intervenção no Rio. "Estão contando com os ovos antes da galinha, porque a conjuntura política é outra ", garantiu o deputado federal Milton Temer, do Refazendo.
A Articulação não descarta a possibilidade de levar ao diretório nacional uma discussão sobre a decisão do encontro regional. "Nada impede que eu proponha uma moção no diretório para questionar como a gente aprova uma resolução a favor da aliança com Garotinho e, ao mesmo tempo, entrega os cargos", acenou Campos.

mockup