Rio, 08 (AE) - As tendências do PT favoráveis à entrega ao governador Anthony Garotinho (PDT) dos cargos que os petistas ocupam no governo vão recorrer ao 2º Congresso Nacional do partido para pedir a suspensão dos direitos partidários dos filiados à legenda que continuarem na administração. Uma reunião de dirigentes dos grupos Opção Popular, Opção Socialista, Campo de Ação Popular e Refazendo vai oficializar amanhã (09) essa estratégia, que incluirá o uso do diretório municipal da capital
onde a Articulação é minoria, para notificar e pressionar os filiados ao PT que continuarem a desobedecer à resolução.
A iniciativa dos quatro grupos será uma resposta à direção nacional do partido, que no domingo validou as eleições de quatro representantes setoriais para o diretório fluminense. Com isso, a Articulação, contrária à saída da administração, passou a ter 25 votos, contra 24 dos adversários. O PT dissidente vai propor as punições inicialmente ao diretório regional, mas sabe que, em minoria, perderá. Por isso, recorrerá ao congresso, que acontecerá de 24 a 28 de novembro, em Belo Horizonte. A decisão de validar os setoriais inviabilizou um acordo que vinha sendo preparado pela Articulação. "Não tem acordo", afirmou Antônio Neiva, coordenador do Refazendo.
Outro dirigente, do Opção Socialista, confirmou a intenção de endurecer a política contra o que classificou de "golpe" e "intervenção branca" da direção nacional no PT fluminense. A decisão de entregar os cargos foi tomada no 18º Encontro Estadual da legenda, em outubro, num protesto contra declarações de Garotinho, que chamou a agremiação de "partido da boquinha"
por supostamente só querer cargos na administração pública.
Os representantes das quatro tendências vão preparar amanhã (09) uma nota conjunta, em que declararão "na ilegalidade" os petistas que insistirem em continuar no governo. Após a decisão de entregar os cargos, 45 filiados ao PT, ligados ao presidente regional da legenda, deputado Carlos Santana, entre eles o então secretário dos Transportes, Raul de Bonis, foram exonerados. Continuam no governo outros três secretários, da Articulação: Jorge Bittar (Planejamento), Antônio Pitanga (Ação Social) e Gilberto Palmares (Trabalho). O PT tem ainda 11 subsecretários e cerca de 200 filiados no governo.
Segundo o estatuto petista, quem tiver os direitos partidários suspensos não pode votar nem ser votado no PT e não pode concorrer a cargos públicos pela legenda. Na última sexta-feira, Santana oficializou a entrega de cargos a Garotinho. Uma semana antes, os secretários da Articulação colocaram seus cargos à disposição. Nas duas ocasiões, o governador não aceitou a renúncia, alegando que a decisão de entrega dos postos era "dúbia" e precisava ser interpretada pelo diretório regional. Até que isso ocorra, ninguém será exonerado, explicou o governador.

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