Rio, 10 (AE) - O ex-deputado Vladimir Palmeira e a vice-governadora Benedita da Silva fazem na segunda-feira (13) o primeiro dos cinco debates preparatórios para a prévia do dia 26 de março, que decidirá quem será o candidato do PT à sucessão municipal de outubro. Será às 19 horas no palco do teatro João Caetano.
Palmeira é candidato do Refazendo, grupo ligado à esquerda do partido, que é contrário à aliança com o governador Anthony Garotinho. O Refazendo não aceita até hoje a polêmica decisão do Encontro Nacional de 1998, que cassou a então candidatura de Palmeira ao governo do Estado, em nome do apoio do partido a Garotinho. Benedita, da moderada Articulação, foi aliada de primeira hora do atual governador, da qual abdicou do mandato de senadora para ser sua vice.
"Nossa candidatura é um processo natural da aliança dos partidos de esquerda", afirma Benedita, que acredita ser a única candidata capaz de atrair o apoio do PDT, PCdoB, PSB e "setores" do PMDB e PSDB. "O Vladimir representa um segmento no PT que não soma, não amplia, e nós hoje queremos o contrário." Para o coordenador da campanha de Palmeira, Antônio Neiva, o debate de segunda servirá, antes de tudo, para marcar as diferenças "político-ideológicas" entre os dois pré-candidatos. "Nós acreditamos que o governo não é de uma pessoa só, como pensam nossos adversários, mas participativo e popular."
Articulação e Refazendo só concordam em um ponto: a prévia será decidida por uma pequena margem de votos de diferença. "No máximo por cinco pontos percentuais", arrisca Neiva. "Os dois candidatos são minoritários dentro do PT", afirma William Campos, vice-presidente municipal do partido e integrante da conselho político da campanha de Benedita. "O importante é a vitória, mesmo que seja por um a zero", emenda a vice-governadora.
Para Campos, o pré-candidato que conseguir superar o debate em torno da polarização entre Articulação e Refazendo sairá vitorioso da prévia. "Atualmente, o PT do Rio tem um terço de seus filiados que não fazem parte de nenhuma dessas duas correntes", afirma. Ele cita o exemplo das forças que disputaram a última convenção municipal do partido, em outubro passado. A Articulação, que saiu derrotada, obteve 36%, enquanto o Refazendo, com 21%, só ganhou porque se aliou a outra corrente minoritária, a Ação Popular, do vereador Adílson Pires.
"Foi eleito um presidente que não é de nenhuma das duas correntes", lembra Campos, referindo-se a Wilson Farias, ligado a Adílson Pires. Hoje, o Refazendo já conta com o apoio do Ação Popular e da Opção Socialista, da deputado estadual Cida Diogo. Ambos, segundo cálculo de Antônio Neiva, representam 10% dos filiados aptos a votar na prévia. Já Benedita conta com os grupos ligados ao movimento negro, liderados pelo vereador Édson Santos e pelo ex-deputado Marcelo Dias.
O presidente regional do PT, deputado Carlos Santana, que representa a terceira grande força do partido, com cerca de 30% dos filiados, já declarou publicamente que não vai apoiar nenhum dos dois candidatos. A tendência é que os integrantes do grupo de Santana sejam liberados para a votação. "Temos ainda o Ivanir (dos Santos), que ainda está indefinido", afirma Campos. Segundo o vice-presidente do PT carioca, Santos, que é ligado a entidades de defesa de menores carentes, representa, pelo menos, 600 dos votos.
A história do PT carioca, porém, ensina que a prévia nunca foi um sucesso entre os filiados. Das três que já foram realizadas pelo partido (1992, 1993 e 1996), a única que teve quórum foi a de 1992, quando Benedita derrotou Guilherme Haiser na disputa para ser candidata à prefeita.
O quórum mínimo para a realização da prévia equivale a 10% do número total de filiados aptos a votar, que, segundo estatística do diretório municipal, chega atualmente a 32 mil. A Articulação prefere não arriscar o número de filiados que deverá comparecer à prévia do dia 26, mas Neiva, do Refazendo, acredita que, no mínimo, 8 mil pessoas deverão comparecer.

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