PT do Rio inicia auditoria em 13,5 mil filiações
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segunda-feira, 12 de julho de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 13 (AE) - O PT carioca começou hoje uma auditoria nas 13,5 mil filiações que recebeu a partir de outubro. O objetivo é detectar irregularidades no processo protagonizado por facções em luta para vencer as convenções de 1999, nas quais serão eleitas as direções que dirigirão a legenda em 2000, ano eleitoral.
As dificuldades e os prazos - uma comissão do diretório nacional decidirá quais fichas são válidas na segunda-feira (19)
dois dias antes do limite para apresentação das listas de filiados aptos a votar- levam parte do partido a especular que talvez não haja convenção na capital este ano.
Somente na quinta-feira (07), último dia do prazo de filiações para petistas que queiram participar das convenções de 1999, foram entregues ao PT carioca cerca de 10 mil fichas com novas filiações (que representariam um aumento de cerca de 50% no número de filiados na cidade). Segundo o presidente do PT do Rio, 5 mil fichas foram apresentadas pela tendência Articulação; 3,5 mil, pelo grupo Opção Popular (ligado ao deputado Carlos Santana); 1 mil, pela ala cristã-socialista, liderada pelo vereador Adilson Pires, e 400, pela facção Refazendo, que congrega a esquerda petista no Estado.
"Estamos checando cada ficha para ver se está completa, se falta o número do título de eleitor, se está assinada, se tem rasuras ou qualquer tipo de indício que venha a comprometê-la", disse o presidente do PT carioca, André Braga. Segundo ele, só na contagem das novas fichas, foram descobertas cerca de mil filiações suspeitas. A auditoria está sendo feita por dirigentes do PT no Estado e na capital ligados a cinco tendências. O Refazendo e outros grupos acusam a Articulação, liderada pela vice-governadora Benedita da Silva, de ter usado a máquina estadual para filiar.
Como o partido decidiu que em 1999 só fará na capital convenções por diretórios zonais, os filiados que votariam em cerca de 60 núcleos sindicais e temáticos estão sendo redistribuídos, tornando ainda maior a possibilidade de problemas no fechamento das listas de petistas aptos a votar. Para o trabalho, foram alugados dois computadores e contratados digitadores, mas há dúvidas sobre se será possível o encerrar até o dia 21, prazo final estabelecido nacionalmente. Se não houver convenção, o mandato da direção municipal expira-se e o diretório municipal nomeará uma comissão provisória.
O secretário-geral nacional do PT, deputado Arlindo Chinaglia (SP), e os secretários de Organização, Joaquim Soriano
e sindical, Delúbio Soares, que formam a comissão nacional, avisaram que os prazos não serão prorrogados. "É uma decisão do diretório nacional", disse Chinaglia. "Existe uma regra que é nacional; não estamos aqui para constatar problemas, mas para os resolver." A comissão colheu, no Rio, depoimentos e documentos sobre 28 núcleos sob suspeita de serem fantasmas (outros 107 foram anulados pelo diretório nacional) e vai anunciar, também segunda-feira, quais serão considerados válidos.


