Rio, 08 (AE) - O PT do Rio decidiu formalizar publicamente a insatisfação com a reforma de secretariado que está sendo tocada pelo governador Anthony Garotinho (PDT). O partido reivindica uma maior participação nas decisões. "As alianças têm de ser ouvidas", observou o presidente do diretório estadual, Domício Mascarenhas. A direção do partido, porém, deixou claro que a reivindicação que está sendo feita não significa um rompimento da parceria PT/PDT e uma possível saída dos petistas do governo.
Vice-presidente do partido, o professor William Campos define a reforma do secretariado como "casuística". "Ela foi feita sem critérios e sem uma discussão mais profunda", ressaltou. Ligado à corrente Articulação, da vice-governadora Benedita da Silva, Campos disse que não se está discutindo o número de cargos. "Não somos funcionários do governador, a nossa história não depende do governo", afirmou.
Para ele, com este tipo de atitude, Garotinho pode comprometer a qualidade dos projetos da gestão. "Garotinho está fazendo uma ação individual", disse. "Nós costumamos dizer que
contra ação individual, há a ação coletiva do PT", acrescentou.
A relação do PT com o governo do Estado e o estabelecimento de regras para a administração de Garotinho estarão na pauta de discussões da convenção do partido, que ocorrerá nos dias 23 e 24. Para Mascarenhas, Garotinho está distanciando-se das diretrizes traçadas nos encontros realizados na pré-eleição pelos partidos que compõem a aliança. "Não se pode perder os parâmetros que nos levaram à aliança política", comentou. Campos lembra que a aliança para a eleição do governo do Rio foi parte de um processo que ele definiu como "traumático", uma vez que, ao se decidir pela parceria com o PDT, houve um racha no partido. "A aliança com Garotinho, na realidade, é algo maior, realizada em função da aliança nacional", deixou claro Campos.

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