PT do Rio exige saída de policiais acusados de corrupção
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quinta-feira, 23 de março de 2000
Por Wilson Tosta 
Rio, 24 (AE) - A crise entre o PT fluminense e o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), chegou a um impasse. O partido aprovou resolução em que, entre outros pontos, exige a saída dos policiais acusados de corrupção, deixa aberta a possibilidade de sair do governo e abre indiretamente um prazo para resposta: 2 de abril. O pedetista avisara na véspera que, entre o chefe da Polícia Civil, Rafik Louzada, alvo dos petistas
e a legenda, fica com o policial.
O presidente do PT local, deputado Carlos Santana, disse hoje que entrou em contato com o presidente nacional da legenda, deputado José Dirceu (SP), para marcar uma data de entrega do documento com as exigências. Ele afirmou que a direção nacional, que acompanha as crises do PT do Rio desde o início, "tem de dividir responsabilidades".
Santana não quis comentar a reação negativa do governador, que disse que não vai mudar a posição.
"Não podemos ficar simplesmente no Rafik", declarou o parlamentar. "Queremos que haja diálogo com a bancada, efetivação do conselho político (criado, mas ainda não atuante), manutenção da política de segurança do Luiz Eduardo Soares (sociólogo que foi demitido do cargo de coordenador de Segurança
depois de denunciar o suposto envolvimento de policiais com o crime)." Os petistas esperam do governador sinais de que a política de Soares continua.
Além da resolução, foi ratificada na reunião uma nota da bancada na Assembléia Legislativa que afirma que a permanência no governo é insustentável e propõe que o PT saia. O documento aprovado pela executiva amenizou essa posição, mas não a descartou. "O Diretório Regional está convocado para uma reunião no dia 2 de abril, com finalidade de avaliar o desdobramento dos acontecimentos e tomar as medidas necessárias."
O vice-presidente municipal do PT, William Campos, afirmou hoje esperar que o governador mude de idéia e demita os policiais sob suspeição. "Na Justiça, trabalha-se com provas, mas, na política, não", declarou. Campos explicou que o PT "não quer julgar ninguém, só pede a apuração dos fatos" e garantiu que, se for apurado que os acusados são inocentes, poderão voltar aos cargos, sem problemas.
"O que não dá para aceitar é deixar alguém sob suspeição em posição estratégica", afirmou. Ele afirmou que "está faltando um pouco mais de humildade" a Garotinho e disse que uma vitória da vice-governadora Benedita da Silva (PT) domingo (26), nas prévias em que disputará com o ex-deputado Vladimir Palmeira a indicação para concorrer à prefeitura, vai mostrar o peso político do PT governista.
Campos disse que o PT "quer ter mais peso no governo". "Chegou a hora de uma recauchutagem", disse. No documento da executiva, os petistas exigem "uma repactuação do governo, capaz de garantir estabilidade e a efetiva realização, na prática, de programas que marcam a ação de um governo democrático, transparente, ético, voltado para a justiça social (...)".


