PT do Rio estuda levar Benedita à comissão de ética do partido
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de novembro de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 09 (AE) - Em minoria no diretório regional do PT, os grupos da legenda favoráveis à entrega dos cargos no Estado cogitam levar a vice-governadora Benedita da Silva à comissão de ética do diretório municipal da capital por suposto envolvimento em núcleos-fantasma e filiações fraudulentas. A informação foi divulgada pelo presidente do PT carioca, Wilson Farias. Ele explicou que, ante a resistência da Articulação, de Benedita, a deixar os cargos, a executiva municipal convocou o diretório para, dia 22, criar a comissão para investigar filiados envolvidos no caso, ligados a vice-governadora. Ela também poderá ser investigada.
Segundo Farias, no diretório municipal os grupos da chamada "Antártica" (na gíria petista, forma abreviada de "Anti-Articulação") -Opção Popular, Opção Socialista, Campo de Ação Popular e Refazendo- são maioria. Eles podem aprovar a investigação contra Antônio Galuzio e Valério Bonifácio. Os dois são acusados de envolvimento na criação de núcleos-fantasma e em filiações fraudulentas, protagonizados em boa parte por Roberto Marcos dos Santos, o Gaguinho, processado na Justiça por suposta venda de legenda. Farias informou que o Refazendo poderá propor que a investigação seja estendida a Benedita.
"A reunião do dia 22 será muito pesada se o diretório regional não se reunir antes", disse Farias. Os grupos anti-Articulação temem que o grupo de Benedita não dê quórum à reunião do regional, para adiar a discussão da implementação da saída do governo.
O "caso Gaguinho" levou à invalidação de 4.500 fichas de filiação e causou uma crise no PT. Antônio Neiva, coordenador do Refazendo, disse na ocasião que "as digitais da vice-governadora" estavam nas fichas suspeitas e, por isso, está sendo processado criminalmente por Benedita. A vice-governadora diz que não houve fraude, mas erros de preenchimento, e acusa os adversários de discriminá-la, por ser negra. Benedita viajou ontem (08) para Washington e não pôde ser entrevistada hoje. O vice-presidente do PT carioca, William Campos, porta-voz do grupo, não foi localizado.
Ressurgimento - A "ressurreição" do "caso Gaguinho" foi decidida depois que, no último fim de semana, o diretório nacional do PT decidiu validar as representações de quatro setoriais do partido, dando à Articulação e aliados, no diretório regional, 25 votos, contra 24 para as demais tendências. Com isso, a interpretação da resolução do 18º Encontro Estadual do PT, de entregar os cargos, poderá ser favorável à Articulação.
Também será discutida na reunião a criação da comissão de ética para examinar o caso do ex-deputado Ernani Coelho, acusado de ter tentado comprar os votos de delegados ao 18º Encontro Estadual. Dois petistas gravaram a suposta tentativa de aliciamento.
A decisão de entregar os cargos foi tomada na convenção, em reação ao governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), que acusou o PT de ser o "partido da boquinha", por, supostamente, só querer cargos.
Farias explicou que a executiva municipal também decidiu que, devido ao vácuo que, avalia, vai ocorrer no PT estadual (não há reunião do diretório regional marcada e os dois lados são separados por apenas um voto), o PT carioca vai procurar outros partidos da frente das esquerdas (PDT, PSB, PCB e PC do B). O objetivo é conseguir que todos apelem a Garotinho para que aceite o pedido de demissão dos três secretários petistas ligados à Articulação (Jorge Bittar, do Planejamento; Antônio Pitanga, da Ação Social; e Gilberto Palmares, do Trabalho). Depois, o diretório regional seria instalado e seriam abertas novas negociações com o governador.


