Rio, 23 (AE) - O PT fluminense deverá aprovar em seu 18º Encontro Regional, iniciado hoje, a instauração de uma comissão de ética para investigar a denúncia de tentativa de compra de votos de delegados da reunião. A acusação foi feita por dois militantes ligados ao deputado federal Carlos Santana, um dos líderes da tendência Opção Popular, contra a corrente majoritária do partido, a Articulação, ligada à vice-governadora do Rio, Benedita da Silva.
A investigação foi defendida tanto pelos acusadores - o presidente do PT de Guapirim, Reginaldo Valério Rosa, e seu secretário-geral, André Luiz dos Santos - como pelo acusado de fazer a oferta, o ex-deputado estadual Ernani Coelho. A acusação baseia-se em uma fita de 23 minutos, gravada na tarde da última quinta-feira em um bar próximo à sede regional do partido, no Centro do Rio.
Os denunciantes, que estão desempregados, acusam Coelho de ter oferecido de R$ 400 a R$ 500 mensais de ajuda enquanto não tivessem emprego, além de cargos públicos, em troca de votos. O ex-deputado admitiu hoje que fez a oferta, "mas apenas como ajuda a companheiros em dificuldade e sem nenhum caráter de barganha política".
Rosa afirma que decidiu levar o gravador escondido numa pasta, ao ser chamado para uma conversa com Coelho depois de o ex-deputado ter-lhe perguntado se continuava desempregado e se sabia quem dirigia a Fundação Leão XIII, um órgão do estado em Magé.
Segundo apurou a AGÊNCIA ESTADO, porém, a ordem de gravar a conversa foi dada por um integrante do grupo de Santana
ao ser procurado por Rosa. Eles já esperavam que a oferta fosse feita, pois o mesmo já teria acontecido em outras ocasiões.
Coelho afirmou que os trechos da fita em que os denunciantes falaram foram propositalmente suprimidos por eles, para dar idéia de que houve tentativa de corrupção. "Tenho uma história política de 20 anos, ajudando a construir o PT e a CUT", disse Coelho.
O secretário de Planejamento do estado, Jorge Bittar, citado na fita como tendo poder para dar a ajuda, acusou o grupo de Santana de forjar a denúncia. De acordo com a direção do grupo Articulação, Coelho foi induzido à conversa e a fita foi editada com má-fé.
"Os autores da denúncia deviam se envergonhar", disse Bittar. O objetivo da denúncia, para ele, seria provocar um fato político relevante que alterasse a correlação de forças no encontro.
Rosa afirmou que fora procurado há duas semanas por Coelho, que lhe disse querer fazer uma discussão política sobre a convenção. Na ocasião, não foi feita nenhuma oferta. A reunião acabou marcada para quinta-feira passada.

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